Este é o pior cenário desde 1970, porém não se compara à crise de 1929, diz banco

Merrill Lynch ressalta que EUA não enfrentam segunda Grande Depressão, porém situação é a mais difícil em 30 anos

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SÃO PAULO – Causados principalmente por pânico e aversão ao risco, os patamares extremos vistos nos índices de volatilidade e nos spreads de ativos de renda fixa nos últimos dias podem não indicar o fundo do poço. Aliás, para os analistas da Merrill Lynch, para que os mercados atinjam suas mínimas, é necessário primeiro que haja uma suspensão das especulações em torno da questão.

Porém, se a situação ainda indica uma potencial deterioração no curto prazo, as comparações que têm sido feitas com a Grande Depressão estão fora de lugar. Ao menos essa é a opinião da instituição. “Falências de bancos, evaporação da renda disponível, declínios da produção industrial e prêmios de risco para títulos eram significativamente piores naquela época”.

Ambiente desafiador

Na verdade, a questão a ser discutida é a presença cada vez mais óbvia de uma recessão. Conforme explicado pela Merrill Lynch, o cenário atual é um dos mais desafiadores desde a década de 1970, quando houve a última recessão significativa causada pela queda do consumo nos EUA.

E quando falam em cenário desafiador, os analistas se referem a um panorama no qual os pedidos de auxílio desemprego se aproximam do patamar dos 500 mil, as expectativas de consumo se mantêm próximas do menor nível em 30 anos e os bancos continuam apertando os critérios de empréstimos.

Mercado acionário

Preocupados com a crise, os mercados de ações já descontaram o risco de uma recessão nas últimas semanas. “Na verdade, o S&P 500 já caiu cerca de 70% a mais do que em épocas de recessões anteriores. Mais importante, os atuais declínios nos preços ofuscam até mesmo aqueles do período de 1973 a 1975”, comparam os analistas.

No caso dos EUA, os setores a demonstrarem maior crescimento relativo são as indústrias de materiais básicos, saúde e tecnologia. Porém, com o cenário atual, a Merrill Lynch recomenda atenção em dois pontos principais: a performance operacional das empresas e seus balanços financeiros.