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SÃO PAULO – O “Brexit” aparentemente não foi tão traumático assim. O Ibovespa está no seu maior patamar da era Temer, aproximando-se dos 55 mil pontos, ao mesmo tempo em que o dólar despenca. E não é só no Brasil que os investidores estão mais otimistas.
Depois de desabar até 1.571,76 pontos, o índice global de ações MSCI World voltou aos 1.676,15 e está perto de retornar ao patamar do pregão do dia 23 de junho, um dia antes do fatídico referendo britânico, quando fechou aos 1.691,76 pontos.
Como a maioria dos índices do Morgan Stanley Capital Internacional, o World é um benchmark que engloba ativos do mundo todo. No caso, são mais de 1.600 ativos espalhados por 23 mercados desenvolvidos.
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Ou seja, a alta significa basicamente que todo o mundo desenvolvido (excluindo-se os mercados emergentes e os chamados “de fronteira”) está em uma onda de otimismo que reverteu as expectativas que os investidores tinham na época em que os britânicos decidiram votar para sair da União Europeia.
E quais são os grandes responsáveis por essa melhora? Segundo o diretor da mesa de trade da corretora Mirae Asset, Pablo Stipanicic Spyer, a coordenação de juros negativos para prover liquidez tem puxado as bolsas mundiais para cima, levando o índice norte-americano S&P 500, por exemplo, para o seu maior patamar da história.
“A gente ouve que o Japão vai dar estímulos e a China pode acompanhar. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve (o banco central dos EUA) parece muito mais paciente antes de elevar os juros”, afirma Spyer.
Ele também lembra que o cenário no próprio Reino Unido melhora com a ministra do Interior, Theresa May, praticamente certa para ser a substituta de David Cameron como líder do país. Spyer lembra que os britânicos têm boas recordações de líderes mulheres com o perfil de May, como foi o caso de Margaret Tatcher, que foi primeira-ministra de 1979 a 1990.
Isso tudo, segundo ele, traz ao mercado um cenário de “tempestade perfeita ao contrário”. Aqui no Brasil, o próprio cenário doméstico encontra-se mais positivo, impulsionando o Ibovespa para patamares próximos a 55 mil pontos. “É uma calmaria perfeita”, conclui Spyer.