Estabilidade é pré-requisito para crescimento e redução dos juros, diz Meirelles

Atos populistas elevariam a percepção de risco e limitariam o crescimento dos investimentos, penalizando o país como um todo

Publicidade

SÃO PAULO – Defendendo os pilares da política monetária adotada pelo Brasil e a importância da manutenção destes ao longo dos próximos anos, Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, participou nesta segunda-feira (11) do seminário “Reavaliação do Risco Brasil”, promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e pela S&P (Standard & Poor’s).

Meirelles acredita que a instabilidade prejudicou muito o país no passado e que uma das mais importantes contribuições de um Banco Central é garantir a estabilidade econômica. “Um dos fatores que mais preocupam os investidores, principalmente estrangeiros, é exatamente a falta de previsibilidade, o pequeno horizonte de planejamento”.

O executivo, no entanto, visualiza melhoras neste quadro e acredita que a política econômica do país está começando a ter credibilidade. “A redução das surpresas inflacionárias e a percepção de que a inflação está sob controle e deve continuar orbitando a meta nos próximos anos se apresenta como uma conquista muito importante, fundamental para o crescimento do país e redução das taxas de juros”.

Estabilidade é pré-requisito para crescimento

Para o presidente do BC, a estabilidade da economia se apresenta como o pré-requisito para o crescimento e uma redução abrupta dos juros, não baseada nos fundamentos, elevaria as perspectivas de inflação e limitaria o já escasso crescimento dos investimentos, uma vez que geraria instabilidade e elevaria a percepção de risco.

Como conseqüências positivas da estabilidade econômica, Henrique Meirelles lista o crescimento da demanda, a evolução dos empregos formais, o aumento da massa salarial e o crescimento do crédito, e avalia que a redução constante e consistente do risco econômico deve beneficiar ainda mais o desempenho destas contas nos próximos anos.

A maior contribuição que o Banco Central pode dar para a economia brasileira é manter a inflação na meta e sinalizar que as premissas da política monetária atual serão mantidas ao longo dos próximos anos, conclui Meirelles.