Financial Times

Esqueça os Brics e os 5 frágeis: o mercado agora ficará atento aos Picts, diz BNP

É o que aponta reportagem do Financial Times, destacando que este grupo de países - formado por Peru, Indonésia, Colômbia, Turquia e África do Sul - são os mais vulneráveis à alta de juros nos EUA

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SÃO PAULO – Esqueça os “Cinco Frágeis” e os BRICs (Brasil, Índia, Rússia e China), afirma o Financial Times. Agora, a sigla “Picts” forma o novo grupo de mercados emergentes que deve se preocupar com a iminente alta de juros nos EUA e chamará a atenção dos mercados.

Os analistas estão divididos sobre se a crise grega terá um impacto muito duradouro sobre os ativos emergentes, embora haja poucas dúvidas sobre a tensão que a Grécia pode levar aos países em meio ao cenário grego. O que eles concordam é que o foco primordial para os mercados na segunda metade do ano será o Federal Reserve, dos EUA. 

Em 2013, o banco Morgan Stanley destacou em relatório os cinco frágeis como aqueles que enfrentavam mais riscos por conta da expectativa de mudança de política monetária pelo Federal Reserve. Naquele ano, a maior expectativa era pelo início da redução do programa de compra de títulos pelo Fed e, dentro deste cenário, o Morgan via o Brasil como o mais vulnerável ao cenário, mas também destacou outros quatro países: África do Sul, Indonésia, México e Turquia. Já o JPMorgan destacou outros países, com o México no lugar da Índia.

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Porém, agora a sigla é outra, destaca o Financial Times: Richard Iley, economista-chefe do BNP Paribas para os mercados emergentes, afirmou na semana passada para que se tenha cuidado com os “Picts” – Peru, Indonésia, Colômbia, Turquia e África do Sul. O economista destaca agora que estes são os países mais vulneráveis à expectativa para que o Fed aumente as taxas de juros pela primeira vez desde 2006.

Ele classificou 16 grandes mercados emergentes em relação à 20 variáveis macroeconômicas – e os “Picts” se deram pior. 

Segundo Iley, os investidores mostram uma complacência um tanto quanto descontrolada ao indicar que uma alta da taxa de juros pela autoridade americana já está precificada. “O risco é que vamos ver uma aceleração de saídas de capital, especialmente naqueles mercados com menor liquidez e forte capital estrangeiro, com reservas cambiais mais frágeis, com movimentos bruscos em moedas e taxas de juros”, diz ele. Os Picts, ele avalia, deve estar “na frente de mentes dos investidores”.

Os dados sobre o comportamento dos investidores internacionais durante o primeiro semestre deste ano mostram como sentimento nos mercados emergentes como um todo mudou. Os fluxos de capital para as carteiras de ativos emergentes caíram drasticamente para US$ 4,2 bilhões em junho, de acordo com dados do IIF (Instituto Internacional de Finanças). Se confirmado, este valor será bem abaixo da média mensal de US$ 22 bilhões em portfólio para emergentes entre 2010 e 2014. A Ásia emergente a América Latina resistiram melhor no primeiro trimestre, com a Europa, o Oriente Médio e o norte da África registraram as maiores saídas.

O economista do IIF, Robin Koepke, diz que essa aversão ao risco foi relacionada com a crise na Grécia que, na sua opinião, vai provocar mais uma “reação significativa” entre os investidores em países emergentes. Ele aponta para uma correlação estreita entre o rendimento dos títulos soberanos de três anos da Grécia e o índice de títulos dos países emergentes do JPMorgan chamado EMBIG. 

Ele concorda com o economista do BNP Paribas de que os investidores podem ser surpreendidos pela velocidade da ação do Fed. Se os dados econômicos dos EUA continuarem a surpreender positivamente, diz ele, “nós veremos mais oscilações de ativos emergentes e fluxos fracos”.

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Olhando para o futuro, dizem os analistas, os investidores devem pesar o futuro das taxas de juros dos EUA ante outros fatores, como o preço do petróleo, os desequilíbrios que nos trouxeram aos 5 frágeis e aos Picts, uma vez que a China irá gerir a sua própria desaceleração econômica”.