Renda fixa

Esqueça a Bolsa. O momento é excepcional para os CDB!

Títulos bancários cobertos pelo FGC pagam até 118% do CDI, 15,4% prefixado ou IPCA + 8% ao ano

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(SÃO PAULO) – Muitos brasileiros a quem dou aconselhamento sobre investimentos – não como jornalista, mas como CFP® (certified financial planner) – me questionam se minha preferência pela renda fixa neste momento não seria exagerada. Acredito que alguns questionamento sejam bastante naturais porque um investidor com perfil agressivo não deve se conformar mesmo se alguém lhe recomendar que invista 80%, 90% ou 100% de seu dinheiro em um CDB. Essa insatisfação, a meu ver, não é um sinal de que 15% ao ano não seja um retorno atrativo – basta olhar a realidade internacional para ver como esse percentual é alto frente às opções oferecidas em todo o mundo.

Acredito que queixas desse tipo chegam até mim principalmente porque as pessoas acreditam que podem ganhar mais com outras aplicações e que não há motivo para eu ser cauteloso se ela mesmo diz ter apetite ao risco. A todos os brasileiros que compram meus conselhos geralmente eu dou uma resposta parecida: há muito pouca coisa com preços interessantes na Bolsa e o risco de perder não compensa a (pequena) chance de ganhar mais. Não há gestor no Brasil que conseguiu retornos de 15% ao ano nos últimos 5 anos investindo apenas nas empresas brasileiras da Bovespa. Em geral, as boas empresas, que conseguem repassar preços independente de recessão econômica, estão caríssimas. As exportadoras que estão conseguindo se beneficiar da alta do dólar também são poucas e já estão com múltiplos esticados. Em geral, portanto, prefiro manter algum dinheiro com liquidez diária e aproveitar para comprar essas ações quando, por algum motivo, os preços caem abruptamente – e somente nessas ocasiões. 

A cautela pode ser explicada tanto pelo momento ruim da Bolsa quanto pela fase excepcional da renda fixa. Em minha corretora, há papéis bancários, CDB principalmente, que pagam até 118% do CDI, até 15,4% prefixado ou até IPCA + 8%. Ora, alguém que compra um CDB que paga IPCA + 8% sempre vai enriquecer ao longo dos anos, já que se trata de um prêmio de 8% sobre a já elevada inflação. Esperando com paciência eu vou ficar mais rico com uma papel como esse. Então para que correr o risco de Bolsa se posso comprar um retorno tão atrativo praticamente sem risco, considerando que o investimento esteja dentro do limite de R$ 250.000 por banco do Fundo Garantidor de Crédito?

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Se a pessoa realmente quer correr o risco da empresa em que investiu, aí recomendo aplicar em debêntures incentivadas, CRA e CRI, selecionando apenas empresas com forte geração de caixa, como rodovias que cobram elevados pedágios, por exemplo. Nesses casos a pessoa vai achar por aí retornos de IPCA + 8% ou 102% do CDI com a vantagem adicional da isenção de IR. Compensa o risco? Depende do perfil de cada um.

Já as demais opções de renda fixa eu não gosto. O Tesouro Direto, por exemplo, é super recomendado por especialistas, mas, em minha opinião, ficou pouco atraente no momento. Afinal, por que vou comprar um título público que paga IPCA + 6% ao ano e sobre o qual ainda terei de pagar taxas à corretora e à BM&FBovespa se posso comprar um CDB que paga IPCA + 8% sem nenhuma taxa além do Imposto de Renda?

Também costumo conversar com muita gente que só quer saber de LCA e LCI. Esse me parece ser o produto da moda, tamanha é a procura que tenho observado. Mas com CDB pagando IPCA + 8%, para que vou correr o risco de comprar uma LCA ou LCI que poderá ser taxada com IR a partir de 2016? Para mim, nada disso faz sentido.

Então só resta uma pergunta a ser respondida. Considerando os CDB disponíveis, o que é melhor: 118% do CDI, IPCA + 8% ou prefixado de 15,4%? Na próxima semana vou disponibilizar uma planilha que poderá ajudar os leitores a fazer o cálculo para tomar a melhor decisão. Deixe seu e-mail abaixo e receba a planilha gratuitamente em seu e-mail assim que a planilha for disponibilizada. MAS ATENÇÃO: não deixe seu e-mail no espaço para comentáros, e, sim, no formulário logo abaixo desse parágrafo:

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