“Espero que eu venha no próximo ano”, disse Buffett em 2024 – e cá está ele outra vez

A aposentadoria de Buffett - que toca diretamente as atividades da empresa até hoje - é um dos assuntos centrais nas rodas de conversa dos investidores

Mariana Segala

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Warren Buffett em  reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway. 3/05/2024. (Foto: REUTERS/Scott Morgan)
Warren Buffett em reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway. 3/05/2024. (Foto: REUTERS/Scott Morgan)

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“Não espero apenas que vocês venham no próximo ano. Espero que eu venha no próximo ano”.

Warren Buffett, o multimilionário CEO e presidente do conselho da Berkshire Hathaway (BERK34), encerrou assim a conferência de acionistas da empresa no ano passado.

Foi o primeiro evento que Buffett apresentou sem a companhia de Charlie Munger, seu sócio de longa data, que faleceu no fim de 2023 aos 99 anos.

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Pois lá estava Buffett no centro de convenções onde a conferência acontece em Omaha, no Nebraska, nesta sexta-feira (2), antes que os portões fossem abertos ao público, como registrou a emissora CNBC.

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A aposentadoria de Buffett – que toca diretamente as atividades da empresa até hoje – é um dos assuntos centrais nas rodas de conversa dos investidores, assim como a política de tarifas de Donald Trump e o volume recorde de caixa que a Berkshire acumulou no último ano.

Mas isso não é exatamente uma novidade. “Buffett foi questionado sobre aposentadoria ou sobre o que aconteceria se ele fosse atingido por um ônibus todos os anos desde 1994”, diz Alex Morris, fundador da TSOH Research e autor do livro Buffett and Munger Unscripted (ou Buffett e Munger sem roteiro, numa tradução livre).

Morris fala com conhecimento de causa. Para seu livro, ele analisou as gravações de cada uma das conferências realizadas entre 1994 e 2024 – em que, somadas, cerca de 1.700 perguntas foram feitas a Buffett.

“Uma grande surpresa no evento desse ano poderia ser ele entregar as rédeas para Greg Abel e Ajit Jain [executivos da empresa de Buffett]. Uma série de artigos sugeriram que podemos estar chegando perto do período de sucessão na Berkshire”

— Alex Morris

Na carta aos acionistas que publicou em fevereiro deste ano, Buffett destacou: “Aos 94 anos, não vai demorar muito para que Greg Abel me substitua como CEO e escreva as cartas anuais”.

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Até lá, os investidores tentam extrair o máximo que podem de cada oportunidade de interação. “Ele conquistou performances de investimento brilhantes e se manteve fiel à sua filosofia de investimento, navegando pela volatilidade do mercado pelas últimas décadas. Ele é o maior investidor de todos”, disse um investidor chinês ao InfoMoney.

“Vivemos momentos interessantes com a mudança na gestão [dos Estados Unidos] com novas políticas chegando. Não sei como Buffet responderá a essas mudanças. Ele é sempre muito franco, então estou animado para ouvi-lo”, afirmou o professor universitário Nishad Kapadia.

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Não é para menos. Graças a suas boas escolhas, a empresa do Oráculo de Omaha vale hoje US$ 1,15 trilhão, atrás apenas das chamadas Sete Magníficas (à exceção da Tesla), grupo que reúne as maiores empresas de tecnologia do mundo, e da petroleira Saudi Aramco.

Um valor de mercado dessa monta reflete números saudáveis nos balanços. Em 2024, a Berkshire Hathaway registrou lucro operacional de US$ 47,4 bilhões, 27% acima dos US$ 37,3 obtidos no ano anterior.

Tanto dinheiro movimentado faz da empresa Buffett uma das maiores pagadoras de impostos da cena corporativa dos Estados Unidos. Foram US$ 26,8 bilhões destinados à Receita Federal americana só no ano passado, ou 5% do que todas as empresas do país pagaram.

Mariana Segala

Diretora de Redação do InfoMoney