Esperando oferta da Telesp, Citi avalia cenário para venda da GVT

Analistas ainda recomendam compra, mesmo tendo reduzido preço-alvo de R$ 49,00 para R$ 44,00 por ação

Publicidade

SÃO PAULO – Não passaram despercebidas as movimentações no setor de telecomunicações após a oferta de aquisição da GVT (GVTT3) pela francesa Vivendi. Nos últimos dois dias, os principais papéis do setor tiveram variações altas, sinalizando que o mercado ainda espera novos desdobramentos da questão.

Não à toa, os papéis ordinários de Brasil Telecom Participações, Telemar, TIM e Vivo subiram 8,21%, 5,02%, 1,90% e 2,35%, respectivamente. Já as ações preferenciais da Telesp tiveram alta menor, de 1,57%.

Avaliando a situação, os analistas do Citigroup dão razão aos rumores do mercado e consideram que há mais de um final possível em relação à venda do controle da GVT. Embora todas as empresas acima sejam citadas nas especulações, o banco acredita que a Telesp é quem tem maior potencial para fazer uma nova oferta pela rival.

Cenário base

Conforme análise do Citigroup, há 60% de chance de que a oferta da Vivendi tenha sucesso. Caso isso aconteça, a companhia francesa comprará a GVT por um valor justo, sem prêmio de controle.

“Nós não entendemos porque os controladores provavelmente concordarem em remover as poison pills da GVT, mas nossas conversas com os investidores sugerem que o acordo deve ser aprovado na sua atual forma”, afirmam os analistas. Para eles, há apenas 10% de probabilidade de que o acordo fracasse.

Outras ofertas

A chance de fracasso é menor do que a de outros ofertantes, na avaliação do banco. O Citi considera que haja 30% de probabilidade de que uma nova empresa entre na briga pela GVT, o que deve acontecer antes que a Vivendi finalize a due dilligence, em 16 de outubro.

Continua depois da publicidade

Dentre as empresas que compõem a lista de potenciais compradoras, a Telesp é a única avaliada pela instituição de forma específica. Caso haja planos de fazer uma oferta, o Citigroup afirma que eles deverão ser anunciados antes do investor day do grupo Telefônica, que acontece entre 8 e 9 de outubro.

As vantagens da Telesp

“Nós estamos surpresos que a Telesp não decidiu fazer oferta pela GVT. Nós acreditamos que as sinergias tangíveis facilmente cheguem a US$ 1 bilhão (R$ 8,00 por ação)”, ressalta o Citi.

Para a instituição, as sinergias devem ser divididas em duas áreas. Primeiro, a GVT tem R$ 500 milhões em benefícios tributários, que poderiam ser utilizados pela Telesp nas operações de São Paulo. Segundo, a empresa poderia tirar vantagens da rede backbone (núcleo) da GVT.

Continua depois da publicidade

“Usando a mesma lógica que aplicamos à aquisição de outra rede backbone, a Intelig, pela TIM Brasil, nós acreditamos que as sinergias após os impostos poderiam conservadoramente alcançar R$ 500 milhões”, calcula o Citi, considerando a Telesp conseguiria levar 2,5% dos custos de interconexão de R$ 3,9 bilhões de 2008 para a rede da GVT.

Estratégia de investimento

Os analistas do banco acreditam que para os atuais acionistas da GVT é interessante esperar para ver se outra oferta será feita. Caso isso não aconteça, os investidores devem então decidir se aceitam a oferta de R$ 42,00 por ação da Vivendi ou continuar como acionistas da GVT, ainda que com uma liquidez reduzida.

“Para os investidores que ainda não possuem GVT, nós acreditamos que a apreciação de 15% no preço da ação após o anúncio do acordo com a Vivendi removeu uma grande porção do potencial de valorização, embora o viés continue positivo, na nossa visão”, sugere o Citigroup.

Continua depois da publicidade

A recomendação do banco é de compra para os papéis ordinários da GVT, mesmo reduzindo o preço-alvo de R$ 49,00 para R$ 44,00 por ação, baseado nos cenários avaliados e na probabilidade de que eles aconteçam. De acordo com o Citi, há ainda o potencial de uma oferta mais alta do que a da Vivendi.