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SÃO PAULO – A recente freada na recuperação da bolsa brasileira em 2009 coincide com a perda de fôlego dos investidores estrangeiros da BM&F Bovespa. Assim como a guinada positiva até junho encontrava respaldo nestes recursos. É possível afirmar que houve exagero na entrada dos agentes externos?
Painel do 11º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, realizado nesta segunda-feira (22), revelou imprecisões sobre a postura dos estrangeiros no mercado de ações do País. Diante do problema de liquidez, alguns especialistas veem apenas movimentos de curto prazo.
“Ainda há uma certa ganância atenta apenas em retornos elevados de curto prazo”, alertou Rodrigo Nascimbeni, CEO da gestora Livra. De acordo com dados da BM&F Bovespa, até o dia 17 de junho, o saldo do fluxo externo para a bolsa está negativo em R$ 1,3 bilhão, interrompendo uma sequência de quatro meses positivos.
Denise Pavarina, diretora do Banco Bradesco BBI, se mostrou surpresa com a informação. Ao contrário, nota um interesse real no Brasil, sobretudo para empresas voltadas ao mercado interno. “Há um interesse para histórias consolidadas (…) temos ouvido demanda de investidores de qualidade para saber se o momento se confirma”.
Investimento real
“Cuidadosamente” otimista, Denise também identifica uma busca maior do investidor pessoa física pelos investimentos em renda variável, sem falar do estímulo adicional com a trajetória de queda da taxa Selic e a incógnita em torno da nova atitude dos fundos de pensão. Quanto aos IPOs (oferta inicial de ações), “vão levar algum tempo para voltar, a não ser que seja uma oferta de large caps”. Enfim, “os negócios seguem firmes para o segundo semestre”.
Luiz Fernando Figueiredo, diretor da Mauá Investimentos, é outro otimista. Para ele, há uma percepção de que o pânico do final do ano passado foi exagerado no Brasil, levando em conta o impacto na economia real. “Olhando para frente sou otimista com relação a indústria de riscos do Brasil. O nosso país vai chegar no mesmo patamar que estava em 2006/2007 em que a procura de ativos era maior”, finalizou.
O ex-diretor do Banco Central ressaltou que o País está sem problema estrutural com a crise e chamou atenção para o crescimento do IED (Investimento Estrangeiro Direto). Em abril, o IED chegou a US$ 3,409 bilhões. De janeiro a abril deste ano, a cifra é de US$ 8,751 bilhões.
Conforme destacou Scott Cutler, vice-presidente Executivo da NYSE Euronext, em sua apresentação: os investidores querem diversificar geograficamente e o Brasil entra no radar, devido às perspectivas de crescimento. O encontro foi promovido por IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores) e ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias Abertas).