Especial Ibovespa: desafiando setor em alta, imagem da Eletrobrás segue questionada

Riscos políticos e atraso no pagamento de dividendos pesam sobre projeções; renovação de contratos é vista com bons olhos

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SÃO PAULO – Após o feriado de Carnaval, a cobertura especial da InfoMoney acerca dos papéis que compõem o Ibovespa segue com os analistas divulgando suas perspectivas sobre a Eletrobrás neste ano.

Impactadas pelos resultados da companhia e pelo atraso no pagamento de dividendos, tanto as ações preferenciais (ELET4) quanto as ordinárias (ELET3) da Eletrobrás encerraram 2007 com desvalorizações.

Setor recebe boas projeções…

De forma geral, os analistas apresentam-se cautelosos quanto ao setor de energia em 2008, tendo em vista o impacto das revisões tarifárias da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre o resultado das companhias.

Contudo, no médio e longo prazo, as perspectivas são mais favoráveis. Os analistas da Merrill Lynch julgam os fundamentos do setor “os melhores já vistos” na América Latina, enquanto a Fator Corretora destaca os ajustes até que a oferta de energia represente fornecimento seguro.

“A partir de 2009, o equilíbrio entre oferta e demanda poderá causar pressão nos preços do mercado spot e na renovação dos contratos do ambiente livre, elevando a rentabilidade das empresas de geração do setor de energia”, argumentam os analistas da Fator.

De fato, a Eletrobrás deve se beneficiar da renovação dos contratos com vencimento em 2009 e 2010, assinados em 2003 e 2004, quando havia um excesso de oferta de energia. “Os contratos agora poderão ser renovados em bases mais favoráveis”, acredita a equipe da Fator.

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…mas imagem da empresa é questionada

Entretanto, as dúvidas quanto ao risco político dos negócios da Eletrobrás e as perspectivas de novos projetos com baixa taxa de retorno, como destacado pelas equipes da Merrill Lynch e do Morgan Stanley, seguem permeando negativamente as projeções à companhia no curto e médio prazo.

Outro fator que pode continuar penalizando os papéis neste ano é o perfil de governança corporativa da empresa, cuja imagem vem sendo duramente questionada pelo mercado devido ao atraso na distribuição de dividendos com base nas ações ordinárias.

“Embora a companhia esteja financeiramente desalavancada, é preciso melhorar suas práticas de governança corporativa, a exemplo do que ocorreu com a Petrobras e o Banco do Brasil”, avalia a Fator, que se mantém otimista quanto à possibilidade de uma reestruturação, tendo em vista os temores de racionamento de energia.