Títulos públicos

Espanha: yields sobem forte com demora do país em pedir resgate

Já os da Alemanha têm recuo expressivo. País vendeu papéis de dívida nesta manhã, porém com demanda abaixo da aguardada.

SÃO PAULO – Os títulos de dívida da Espanha caem forte, repercutindo a demora para que o país obtenha resgate pelo BCE (Banco Central Europeu). Com a queda no valor do papel, o rendimento registra forte alta e já supera os 6%, em um patamar que não era visto desde o início de setembro, quando Mario Draghi anunciou compras ilimitadas de dívida para os países que pedirem por ajuda.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, apesar de estar resistindo a pedir logo socorro à autoridade monetária, declarou que que pode buscar ajuda se os custos de financiamento da dívida persistirem elevados por muito tempo, em entrevista ao Wall Street Journal.

Na Alemanha, os papéis de dívida para dez anos caem ao menor patamar desde 23 de agosto, com queda de cerca de 1,5% ou 10 p.p.. Mais cedo, o país vendeu papéis de défict, porém com demanda abaixo da aguardada. O país vendeu € 3,95 bilhões em títulos para dez anos. A expectativa era de que fosse vendido o montante de € 5 bilhões e já é o segundo leilão seguido em que os títulos apresentam demanda menor do que da meta traçada.

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PaísRendimentoVariaçãoSpread vs. Bund*
Grécia19,65%

+1,14%

+18,18
Portugal8,87%+1,48%+7,31
Itália5,18%+1,77%+3,71
Espanha6,04%+5,45%+4,57
França2,21%-3,51%+0,74
Alemanha1,47%-7,39%

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.