Espanha prolonga pagamento a desempregados em meio a austeridade

Mariano Rajoy disse que deve acrescentar mais condições rigorosas à ajuda, que atualmente se aplica a pessoas que estão ativamente buscando trabalho

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SÃO PAULO – O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou nesta terça-feira (14) que seu governo irá prolongar um programa de pagamentos de benefícios aos desempregados de longo prazo, mesmo no momento em que tenta adotar cortes multibilionários para evitar recorrer a um resgate soberano.

Rajoy disse que seu governo conservador continuará a fazer os seis pagamentos de € 400 por mês a cidadãos cuja qualificação para o auxílio-desemprego padrão de dois anos tenha acabado, política que deveria acabar nesta semana.

“Vamos prolongá-la. Vamos tentar fazer com que funcione melhor do que tem funcionado enquanto esteve em funcionamento, porque o objetivo fundamental é fazer com que essas pessoas voltem a trabalhar”, disse Rajoy a repórteres após se reunir com o rei Juan Carlos em suas férias de verão.

Ele deve acrescentar mais condições rigorosas à ajuda, que atualmente se aplica a pessoas que estão ativamente buscando trabalho.

O custo de prolongar o plano já estava incluso no orçamento para o atual ano fiscal.

O desemprego na Espanha é o mais alto em pelo menos 30 anos, com quase uma em quatro pessoas sem trabalho.

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Quase 250 mil pessoas atualmente pedem o pagamento de € 400 por mês e quase 750 mil podem estar qualificadas para ele até o final deste ano, conforme seu auxílio-desemprego normal chegar ao fim.

O jornal El Mundo noticiou recentemente que o governo alocou 525 milhões de euros no orçamento de 2012 para cobrir o custo do programa.

O estouro de uma bolha imobiliário há cinco anos fez com que a quarta economia da zona do euro entrasse em recessão e a crise da dívida fez com que seus custos de empréstimos atingissem o maior nível desde o lançamento do euro em 1999.

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Rajoy já buscou um resgate de 100 bilhões de euros para o sistema bancário espanhol, cujos detalhes serão acordados em setembro.

Em meados de julho, ele também apresentou uma nova rodada de cortes com o objetivo de reduzir 65 bilhões de euros do déficit público até 2014 e ajudar a Espanha a evitar um resgate soberano como o de Grécia, Irlanda e Portugal.

A Espanha tem que reduzir seu déficit público de 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado para 6,3% em 2012, 4,5% em 2013 e 2,8% em 2014.

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Mais ajuda
Rajoy reiterou que irá aguardar que o Banco Central Europeu (BCE) detalhe seus planos antes de tomar uma decisão sobre se busca mais ajuda da União Europeia para aliviar os altos custos de financiamento de seu país.

Após a reunião com o rei espanhol, Rajoy foi questionado por um repórter sobre se os dois haviam discutido a possibilidade de um segundo resgate.

“Até que saibamos qual decisão o BCE tomou sobre essa questão, também não tomaremos nenhuma”, disse ele.

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O rendimento do título de 10 anos do governo espanhol tem sido negociado acima de 7 % nas últimas semanas, nível que o próprio Rajoy disse ser insustentável.