Escolha de Bernanke deve preceder fracasso no plano de maior poder do Fed

Economist afirma que legisladores não devem acatar planos do governo de transformar Fed em supervisor dos bancos

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SÃO PAULO – A indicação de Ben Bernanke para o segundo mandato à frente do Federal Reserve não foi surpresa, mas trouxe reações diversas no mercado. Depois das discussões acerca da aptidão do economista para continuar no cargo, o foco agora muda para os reflexos da permanência de Bernanke nos planos do governo de aumentar os poderes do Fed.

Posicionando-se a favor da decisão anunciada por Barack Obama na última sessão, a Economist Intelligence Unit, braço de research da revista The Economist, afirma que o atual presidente do Fed merece um outro mandato, especialmente devido à sua habilidade em lidar com a crise financeira e com a recessão. A expectativa é de que o Senado confirme a indicação, sem grandes oposições.

Contudo, a renomeação de Bernanke deve ser seguida de notícias ruins para o Banco Central dos Estados Unidos. “Os legisladores devem rejeitar os planos da administração de Obama de dar ao Fed um maior poder para a supervisão dos bancos, mesmo com o louvável Bernanke como líder”, afirma a Economist.

Planos do governo

O plano do governo norte-americano, já submetido ao Congresso, faria com que o Fed fosse responsável pela supervisão de grandes firmas financeiras, inclusive das holdings, e tiraria a responsabilidade do banco de proteção ao consumidor de produtos financeiros, tornando mais fácil o fechamento de pequenas instituições. Além disso, os planos incluem também a reforma de mercados de derivativos e títulos.

“O principal problema com os planos de regulação bancária da administração é que eles colocam em risco a responsabilidade do Fed em conduzir a política monetária”, afirma a Economist. Isso porque uma maior responsabilidade sobre a supervisão dos bancos coloca o Fed na mira da política e poderia reduzir a independência da autoridade monetária nas decisões em relação a operações de mercado e juros básicos.

“Os legisladores já estão pedindo por um aumento da supervisão seguindo o salto na folha de balanço do Banco Central nos últimos dois anos. Além disso, há tempos há o consenso nos Estados Unidos sobre tirar a política monetária do controle político e colocá-la nas mãos de um órgão independente. Não há o mesmo consenso sobre a supervisão do sistema bancário”, explica a instituição.

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Solução para a supervisão

Considerando que o Federal Reserve e outros órgãos reguladores cometeram diversos erros no passado recente e as dificuldades pelas quais a supervisão dos bancos passa, a Economist Intelligence Unit levanta uma alternativa ao aumento dos poderes do Fed: a colaboração entre diversas agências.

A ideia não é novidade. O FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) já havia solicitado uma estratégia mais colaborativa de supervisão bancária e a administração norte-americana tem planos de criar um conselho de supervisão financeira.

“Na verdade, pelos últimos dois anos, Bernanke e outras autoridades trabalham juntos com sucesso para contra-atacar a crise econômica. Uma estratégia colaborativa deve funcionar bem para a supervisão bancária”, conclui a Economist.