Escolaridade do brasileiro muda de acordo com religião

Constatação faz parte do Censo 2000 do IBGE e sugere que católicos e evangélicos têm quase quatro anos a menos de escolaridade que os espíritas

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SÃO PAULO – Quando o assunto é educação, a religião pode ser um fator diferenciador. Pelo menos é esta conclusão a que se chega ao analisar os dados publicados no Censo 2000, no final da semana passada, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Espíritas têm maior escolaridade

O brasileiro, independente de religião, estudava em média 5,86 anos no ano de 2000. Apesar do baixo índice de escolaridade, trata-se de um avanço de mais de um ano em relação à média registrada no início da década de 90 que era de 4,72 anos.

Contudo, a constatação mais interessante do estudo do IBGE é a de que os espíritas possuem em média quase quatro anos a mais de estudo, com uma escolaridade de 9,58 anos, a maior dentre todas as religiões acompanhadas. Vale lembrar que esta tendência já havia sido verificada em 1991, quando os espíritas registraram uma escolaridade média de 8,34 anos.

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Agnósticos têm pior escolaridade

Por sua vez, o pior desempenho ficou com as pessoas que se declaram sem religião, ou seja, os agnósticos, com apenas 5,65 anos de escolaridade, uma melhora de apenas seis meses em relação ao antigo Censo.

Também registraram baixos índices de escolaridade os católicos, com 5,78 anos; e os evangélicos, cuja média ficou em 5,83 anos. Aliás, no que refere aos evangélicos, também existem diferenças grandes. Os chamados evangélicos de missão são os que têm mais escolaridade, 6,94 anos, frente a 5,34 anos dos pentecostais e de 6,41 anos dos outros evangélicos.

Finalmente, religiões como umbandistas e candomblé, assim como os Testemunhas de Jeová ficaram com uma posição intermediária, acima da média nacional, com 7,19 anos e 6,49 anos de escolaridade, respectivamente.

Cor e religião

Na diferenciação de cor e raça por religião pode-se constatar que as religiões que têm uma parcela maior de seguidores de cor branca são, respectivamente, a judaica (96%), a evangélica luterana (95%) e o islamismo (88%).

Por sua vez, as religiões com maior parcela de pessoas que se declararam como pretas foram: candomblé 22%, umbanda (17%) e sem religião (9,3%). Já a religião católica (48,5%), a Assembléia de Deus (47,5%) e a Deus é Amor (45,9%) são as que mais apresentam pardos.

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