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SÃO PAULO – Os indicadores econômicos parecem ter assumido uma característica comum. As divulgações começam a apontar tímida melhoria de parâmetros como crédito, setor imobiliário, consumo, produção industrial. Os mercados assumem e as bolsas sobem. Mas a rebeldia dos Treasuries pode sugerir outra coisa.
“Hoje, se eu tivesse que seguir apenas uma variável econômica ou financeira para apontar a direção da economia, seria o yield dos Treasuries de dez anos”, destaca Scott Anderson, economista sênior do Wells Fargo. De fato, há muito embutido nos preços das notas do Tesouro dos Estados Unidos, que servem como principal referencial de juro a longo prazo da economia norte-americana.
Além de um importante medidor de ânimos, tendo em vista que os Treasuries ainda levam o rótulo de aplicação de menor risco, seu mercado fornece ótima referência sobre crédito. Os yields – taxa de retorno – são utilizados como referência para diversas taxas de juro aplicadas pelo mercado, como exemplo as taxas de financiamento imobiliário. Quando mais altos os yields, mais atrativos os títulos, mas também sinal de que o governo tem de pagar mais para atrair compradores.
Insuficiente
Com importância inegável, o movimento do rendimento das notas do Tesouro com vencimento em 10 anos impressiona. Os yields abriram o ano a 2,24% e seguem em alta, já em torno de 3,70% ao ano.
“Parte do motivo deste salto é a crença que o plano do Federal Reserve de adquirir US$ 300 bilhões em Treasuries possa não ser suficiente para puxar a correnteza para novas ofertas tendo em vista que o governo tenta emprestar seu caminho para prosperidade”, conclui o Wells Fargo.
A afirmação remete ao déficit orçamentário norte-americano, outra fonte de preocupações. Para financiar a injeção de milhares de bilhões de dólares na economia e estimular o crédito, o Tesouro dos Estados Unidos adota uma rotina diária de aquisições e ofertas de títulos. É a tentativa de forçar as taxas de longo prazo para baixo, estimular o crédito, já que o juro básico já figura perto de zero atualmente.
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Ampliação do programa
Tendo em vista este argumento, crescem os rumores de que a autoridade monetária deve anunciar uma ampliação em seu programa de aquisições de títulos. Na avaliação do Wells Fargo, outra possibilidade seria o Fed ampliar seu foco na compra de Mortgage-Backed Securities.
A ideia reforça a tese
dos analistas do Barclays Capital, que recentemente afirmaram sua expectativa de que o Fed eleve de US$ 300 bilhões para US$ 1 trilhão a quantia de títulos que o governo norte-americano que irá comprar. É aguardar o resultado da próxima reunião do colegiado, que só ocorre em 24 de junho.