Equity Risk Premium: como o mercado determina fatores de risco e os embute na ação

As variáveis econômicas e principais questões que exigem que uma ação pague um prêmio sobre alternativas livres de risco

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SÃO PAULO – Cada alternativa de aplicação possui relações estreitas com o risco. No caso das ações, os preços e consequentemente a taxa de retorno esperada tendem a incluir um prêmio sobre os retornos oferecidos por uma taxa livre de risco. Mas quais fatores determinam o risco de uma ação?

A possibilidade de virada no ambiente econômico é manifestada na volatilidade da renda variável. Em “Equity Risk Premiums: Determinants, Estimation and Implications”, Aswath Damodaran considera a relação entre informação e o Prêmio de Risco das Ações como muito complexa: “É possível que prover mais informação sobre os resultados do último período pode criar maior incerteza sobre os futuros ganhos, especialmente quando os investidores divergem sobre a melhor maneira de interpretar os números”.

Por este motivo, diferenças de informação podem ser, em sua opinião, uma das razões porque o investidor demanda maiores prêmios de risco de alguns mercados em relação a outros, como o caso dos emergentes. Mas os determinantes do Equity Risk Premium são muitos, e refletem o preço que os investidores cobram pelo risco.

Aversão ao risco

Inicialmente, é inegável reconhecer que o risco de cada categoria de aplicação pode ser avaliado de diferentes maneiras por cada investidor, de acordo com seu perfil. Quanto mais conservador o investidor, a tendência é que exija um prêmio maior para tomar risco. Ou seja, do ponto de vista individual, o grau pessoal de aversão ao risco entra na conta.

Dentro desta questão, diversas evidências apontam a relação entre idade e aversão ao risco. Grosso modo, quanto maior a idade, a tendência é que o investidor se torne mais avesso ao risco. Da mesma maneira, as taxas de poupança podem indicar o grau de aversão ao risco de maneira agregada.

Catástrofe

O risco também afeta o preço das ações por características como liquidez e pela exposição ao que Damodaran define como “risco de catástrofe”, ou seja, quando se investe em ações, sempre se está exposto à possibilidade de eventos que aparecem em menor frequência, como a crise, mas podem causar graves perturbações nos preços. Mesmo com pequena probabilidade, o Prêmio de Risco das Ações também embute esta incerteza.

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O exemplo da crise atual pode ser incluído como um caso de risco de catástrofe, mas também entra na definição de risco econômico, citada anteriormente. Em economias com maior previsibilidade de variáveis como crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), inflação e taxas de juro, a tendência é de menor prêmio por risco das ações, fator que também ajuda a entender a exigência de maiores prêmios por risco de mercados emergentes.

Inflação

Entre estas variáveis econômicas, a que mais gera controvérsia é a inflação. Enquanto o ensaio de Damoran considera que há pouca ou nenhuma evidência de correlação entre as variações da inflação e do Prêmio de Risco das Ações, o modelo de Michael Brandt e Kevin Wang aponta que o ERP tende a crescer quando a inflação é maior que a projetada e vice-versa.

A conclusão de Damodaran é que “não é o nível de inflação que determina o Prêmio de Risco das Ações, mas a incerteza em relação a este nível”.