Equatorial, Energisa, CPFL e Cemig: Goldman revisa projeções após balanços do 2º tri

Setor elétrico brasileiro teve ajustes de preço-alvo e recomendação do Goldman Sachs, com Equatorial e Energisa em alta, CPFL neutra e Cemig em venda

Murilo Melo

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Torres de transmissão de energia elétrica no Pará
30/03/2010
REUTERS/Paulo Santos
Torres de transmissão de energia elétrica no Pará 30/03/2010 REUTERS/Paulo Santos

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O setor elétrico brasileiro passou por ajustes nas projeções de analistas do Goldman Sachs após a divulgação de resultados do segundo trimestre deste ano (2T25). As atualizações envolvem empresas como Equatorial Energia, Energisa, CPFL Energia e Cemig, considerando fatores como resultados operacionais, mudanças macroeconômicas, revisões nas receitas de transmissão e definições sobre o componente financeiro da Receita Base de Serviços de Distribuição (RBSE) e leilões de GSF (Generation Scaling Factor) para a Cemig.

Os preços-alvo dessas companhias foram revisados em função de resultados positivos recentes e do avanço de três meses no horizonte do preço-alvo. As alterações foram de aproximadamente 7% para Equatorial (EQTL3) e Cemig (CMIG4), 5% para Energisa (ENGI11) e 2% para CPFL Energia (CPFE3).

A Equatorial continua sendo uma das empresas favoritas da cobertura do setor elétrico, junto com Eletrobras (ELET3; ELET6), Sabesp (SBSP3) e Copel (CPLE6). A companhia é vista como uma alocadora de capital eficiente, negociando a um valuation atrativo com Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 11,9%. A Energisa mantém recomendação de compra, apresentando TIR real de 13%, custos enxutos e resultados superiores às metas regulatórias, segundo os estrategistas.

Viva do lucro de grandes empresas

A CPFL Energia recebe recomendação neutra. O Goldman avalia a empresa como defensiva e de alta qualidade, negociando a uma TIR real de 9,6%. Já a Cemig permanece com recomendação de venda. Conforme os analistas, apesar das iniciativas de eficiência de custos e alienação de ativos não essenciais, a gestão estatal limita ganhos adicionais, resultando em TIR real de 8,8%.

O quadro de avaliação de utilidades brasileiras do banco detalha indicadores de preço por ação (target price), retorno em dividendos (dividend yield), retorno total, TIR real, múltiplos de preço sobre lucro (P/E) e valor da empresa sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), além de endividamento líquido sobre Ebitda, valor de mercado, valor da empresa e média diária negociada nos últimos três meses. Entre as companhias analisadas, os preços-alvo variam de R$ 9,50 da Cemig a R$ 142 da Sabesp, com retornos totais projetados entre -11,8% e 32%.

No levantamento geral, a média do setor apresenta TIR real de 10,9%, preço sobre lucro de 11,9 vezes, Ev/Ebitda de 6,8 vezes e endividamento líquido sobre Ebitda de 2,9 vezes, indicando que, mesmo com variações individuais, o setor mantém valuation atrativo frente às oportunidades de crescimento regulatório e operacional.

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Em média, as empresas de utilidades apresentam preço sobre lucro de 14,7x neste ano e 11,9x em 2026, com dividend yield médio de 7,2% e retorno total médio esperado de 17,8%. O múltiplo EV/Ebitda médio é de 6,8x em 2026, e a dívida líquida sobre Ebitda fica em torno de 3,0x, refletindo um perfil financeiro relativamente equilibrado.

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