Entrevista: otimista, Romi espera que números melhorem ainda mais

Lucro foi impulsionado pelo bom momento da economia e empresa espera continuidade aos incentivos para o setor

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SÃO PAULO – Depois de passar o ano de 2009 com prejuízos, a Indústrias Romi (ROMI3) apresentou um lucro de cerca de R$ 25,3 milhões no terceiro trimestre de 2010, um resultado classificado como acima das expectativas por boa parte dos analistas.

Livaldo Aguiar dos Santos, presidente da Romi, e Luiz Cassiano Rosolen, diretor de Relações com Investidores da companhia, dizem que a margem Ebitda de 18% surpreendeu, mas ainda não é o pico histórico alcançado pela empresa e que investidores podem continuar esperando crescimento para os próximos trimestres.

Para eles,  resultado foi impulsionado pelo bom momento que vive a economia brasileira. Ainda há espaço para melhoras, como os próprios diretores declararam, especialmente com relação à expansão de investimentos para aumentar a capacidade instalada. Confira abaixo a entrevista completa concedida pelos diretores da Romi à InfoMoney:

Infomoney: Gostaria de começar perguntando sobre o Ebitda da Romi, que no terceiro trimestre de 2010  teve um avanço de quase 243% frente a 2009. A que fatores vocês atribuem esse avanço?
Cassiano: O principal motivo de entregar um Ebitda de margem de 18% é o ganho de produtividade que a empresa observou com o aumento do volume. Em 2009 tivemos um cenário de crise e a nossa empresa carrega mais custos fixos, justamente por ser cíclica e bem integrada. Quando há uma retomada do crescimento, há uma retomada do volume e consequentemente uma diluição dos custos fixos. Nos nove meses de 2010 houve um ganho sensível de margem bruta e ganho importante de margem Ebitda. Além disso, o terceiro trimestre é importante por ser um trimestre que consolida a recuperação de margem durante os dois trimestres anteriores.

“Margem Ebitda de 18% não é
margem histórica, já tivemos anos com
registros de 20% a 21% “

Esse crescimento da margem foi bem destacado, o crescimento do Ebitda, por exemplo, foi analisado como impressionante pelo relatório da Citi. Como vocês enxergam isso?
Cassiano:A Romi é cíclica e integrada. Conforme há ganho de volume e as unidades fabris vão se sincronizando melhor, a produtividade aparece. Logo, há uma diluição da mão de obra indireta e de outros custos fixos. A maioria dos analistas tinha margem abaixo dos 18% para o terceiro trimestre, devido à grande integração que a Romi tem. Máquinas e Ferramentas, por exemplo, tem uma margem melhor e a Fundição, que não vinha contribuindo com boas margens, voltou a contribuir em franca recuperação de margem e assim nos levando ao patamar de 18%.

No quarto trimestre há outros fatores que podem também afetar a margem, como o real apreciado. Isso se traduz em mais pressão de preços, uma vez que a maior parte dos nossos competidores são internacionais. Além disso, novembro é o mês do dissídio coletivo e isso tem impacto na folha do quarto trimestre, assim como outros fatores que diferem de trimestre para trimestre.

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Mas continuamos ganhando produtividade, melhorando o custo horário de cada unidade fabril, para entregar ao mercado margens melhores. Vale lembrar que a margem Ebitda de 18% apresentada nesse trimestre não é a margem histórica, já tivemos anos com registros de 20 a 21%.

Com essa melhora na produtividade, talvez haja a necessidade de ampliação de investimentos, por conta da capacidade instalada. A empresa tem planos para esses investimentos?
Santos: Investimos bastante nos anos de 2007 e 2008, porém durante a crise de 2009 houve um congelamento.Temos um projeto de colocar todas as nossas unidades que estão no centro de Santa Bárbara no Distrito, que poderá ser aplicado quando quando o mercado voltar mais forte e surgir então a necessidade adicional de capacidade. 

Investimentos do próximo ano focam o aumento de produtividade, com o valor girando em torno de R$ 35 milhões . O grosso do investimento nos próximos trimestres vem com o estudo da necessidade de termos todas as unidades alocadas no Distrito e isso será num horizonte de médio a longo prazo.

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Alguma das unidades de negócio seria mais beneficiada por esses investimentos?
Santos: Somos uma empresa bem integrada e verticalizada. Os investimentos na Fundição trabalham num nível de ocupação de 50%. Verificamos, portanto, que há muito espaço para ocupar. Em outras unidades ainda há alguma capacidade para melhorar. Os projetos de melhoria de produtividade fazem com que também melhoremos os ativos disponíveis. Nosso foco é maximizar o montante investido em anos anteriores e só aumentar esse investimento na hora que precisarmos efetivamente de capacidade adicional.

“O destaque está para o setor de plástico,
que tem crescido e tem se saído melhor
do que os outros”

Alguma dessas unidades teve desempenho mais significativo no terceiro trimestre?
Santos: Nesse ano verificamos uma consequência direta da economia brasileira no que se refere ao consumo. Todos os nossos equipamentos voltados a consumo estão obtendo uma performance boa. Historicamente, as máquinas e ferramentas sempre representaram 75% do faturamento. Mantendo essa proporção, elas estão mais ou menos 73% nos nove meses desse ano. O destaque está para o setor de plástico, que tem crescido e tem se saído melhor do que os outros.

Isso teria também refletido na baixa do preço do setor de máquinas e ferramentas?
Santos: Os nossos competidores são as máquinas importadas, com destaque para as japonesas e alemãs, algumas tailandesas e coreanas. Esses competidores atuam fortemente na Europa e nos EUA, que estão com mercado deprimido. Assim, eles direcionam-se para mercados emergentes com consumo forte e o Brasil é um deles. Há uma pressão de preço grande dentre esses competidores. O dólar depreciado implica em competitividade. Nosso custo é em dólar, portanto temos que compensar a diferença em aumento de competitividade. Continuamos com horizonte de competição até o próximo ano.

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“Temos uma estratégia de longo prazo
de maior exposição a outros mercados”

Com relação à receita com exportação, a empresa ampliou a exposição ao mercado norte-americano. Existe preocupação com essa exposição ao setor externo para o próximo trimestre?
Santos: Temos uma estratégia de longo prazo de maior exposição a outros mercado. Nos mercados europeu e americano não verificou-se intensa recuperação, mas mesmo que não seja tão grande como foi no passado ainda existe um mercado. Nossa estratégia tem sido desenvolver produtos mais efetivos de tal forma que possamos aumentar a nossa participação nesses mercados.

Essa semana, por exemplo, está ocorrendo uma feira na Alemanha que geralmente se dá a cada 3 anos, é a maior feira de plásticos do mundo e se chama; estamos participamos com uma máquina “energy saver”. Ela atende as especificidades de máquinas mais eficientes no consumo de energia e tecnologia avançada, sobretudo na parte hidráulica e injeção elétrica, o que se traduz em economia de energia com produtividade alta e custos baixos. Estamos lançando essas máquinas na Europa e só devem entrar no Brasil a partir de meados do próximo ano. 

Vocês mencionaram que os resultados refletem a retomada do crescimento no Brasil. Existe preocupação com uma possível queda do ritmo da economia e como isso poderia afetar a empresa?
Santos:  Nossa apresentação tem um indicador conjuntural que é a formação bruta de capital fixo. Ela é atrelada ao PIB e acompanha desempenhos bons ou ruins dele. Temos procurado muitos analistas econômicos e o que verificamos é que o ritmo de crescimento nessa recuperação de crise está forte. Quando voltarmos para uma normalidade como no passado teremos uma impressão de queda do ritmo. Acreditamos num crescimento do PIB de 4,5% e isso deve impactar positivamente a formação de capital fixo. Esperamos um crescimento sólido, como observado de 2002 a 2008.

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Vocês estão satisfeitos com a cobertura dos analistas e a exposição que a empresa tem tido?
Rosolen: Sim, temos ótimas coberturas e todos entendem bem o funcionamento da empresa. Sabemos que não é uma empresa fácil de cobrir porque é um negócio que não há pares no Brasil, temos um negócio industrial muito mais cíclico e integrado com outras empresas do que o normal. Todos os analistas mostram bom entendimento da empresa, claro que cada um tem sua opinião mediante os fatores macroeconômicos que afetam o crescimento do Brasil, mas não existe grande divergências entre as opiniões e todas as coberturas para nós são muito boas, principalmente pelo fato de a Romi ser uma empresa “small cap”. Assim, o excesso de coberturas é motivo de orgulho para nós.

Vocês podem detalhar os programas de controle de custos que vêm sendo adotados para compensar essa questão cambial?
Santos: O custo está tendo impacto natural do real apreciado. Como alguns componentes do custo refletem moeda estrangeira, na apreciação do real controlamos melhor os custos, mas na receita temos mais competitividade. De qualquer forma, desde 2008 implementamos o programa não só para redução de custos e despesas, mas também para otimização do capital de giro. Estamos num estágio bem maduros de projetos e já colhemos resultados. Todos os projetos mostram os impactos financeiros trazidos para a Romi, pois a empresa é dinâmica, porém o cenário vai mudando, como a crise em 2009. O importante é que os projetos são presentes e estão bem solidificados.

“Projetamos lucro entre
12% e 18% para os próximos
trimestres”

O primeiro número que o investidor comum olha é o lucro e vocês saíram de um prejuízo em 2009 para um lucro de R$ 51 milhões nos primeiros nove meses de 2010.  Quais as expectativas para o que pode ser gerado de lucro nos próximos trimestres?
Nós apresentamos ao mercado o nosso guia para o ano que vem. Em termos de margem Ebitda projetamos lucro entre 12% e 18% para os próximos trimestres, de certa forma esse crescimento é bastante flexível porque depende muito de fatores que são totalmente fora do nosso controle, como por exemplo a continuidade do BNDES. A nossa perspectiva de lucro está dentro dessa faixa. Assim que as coisas ficarem mais clara, poderemos trabalhar num patamar de menor intensidade, mas certamente ficará dentro dessa margem.