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SÃO PAULO – O Brasil terminou o ano passado como o quarto maior produtor de celulose do mundo e já no início de 2009 recebeu outra notícia de peso: o nascimento de uma gigante no ramo.
Todavia, a companhia já nasce com um problema da dimensão de sua estrutura: o enfraquecimento econômico global. Este cenário, provocado pela crise financeira mundial, vem cada dia mais se mostrando prejudicial ao setor, dado que menor crescimento na economia significa menor demanda por matérias-primas.
O reflexo é verificado no preço em dólares da celulose de fibra longa e fibra curta, com base nos dados da companhia finlandesa Foex. O preço do Foex NBSK (fibra longa) caiu 26,3%, para US$ 641,51 a tonelada em 2008 na comparação com o ano anterior, enquanto o preço do Foex BHKP (fibra curta) caiu 24,8% no ano passado, encerrando cotado a US$ 584,54 por tonelada.
Abordando temas como o comportamento dos preços da matéria-prima em outras recessões e de que maneira a variação cambial pode afetar este mercado, em entrevista à InfoMoney, Timo Teräs, diretor da Foex, detalha como esse movimento se deu ao longo do ano passado, entre outros pontos de destaque. Confira a entrevista:
InfoMoney – Como os preços da celulose se comportaram em recessões anteriores?
Timo Teräs – A dimensão e a velocidade com que os preços da matéria-prima variam dependem de muitos fatores, dentre os quais a origem do movimento e a moeda em que os preços são mensurados podem ser destacados. O maior declínio em termos absolutos foi visto entre 1995 e 1996, quando o preço em dólares da NBSKP (Northern Bleached Softwood Kraft Pulp) caiu de US$ 1.000 a tonelada para menos de US$ 500 por tonelada em poucos meses.
| “A velocidade da queda de preços tem aumentado ao longo do tempo; os últimos três ciclos de baixa foram claramente mais acelerados do que os verificados nas décadas de 1970 e 1980.” |
No entanto, a velocidade da queda de preços tem aumentado ao longo do tempo; os últimos três ciclos de baixa foram claramente mais acelerados do que os verificados nas décadas de 1970 e 1980. Esta trajetória tem ocorrido provavelmente em função do aumento na velocidade e simultaneidade das informações e, também, devido à redução no cenário de contratos com preços fixados em base anual.
Há algum tempo os contratos já começaram a ser fixados com prazo de quatro meses e, mais recentemente, em um mês ou menos. Além disso, a tendência de alta neste mercado sempre foi mais lenta do que a de baixa.
Além da fraca demanda, que fatores excepcionais vêm pressionando os preços da celulose em dólares?
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O fortalecimento do dólar contra moedas de país compradores (tipicamente o euro). Entre 2002 e 2008, quando os preços da celulose em dólar subiram bem mais de 80%, a moeda norte-americana se desvalorizou cerca de 70% contra o euro. Se você fizesse uma projeção correta para a taxa de câmbio em 2002, teria uma estimativa muito melhor do que a de qualquer especialista do setor.
Outro aspecto é o grande aumento de capacidade verificado em 2007 e no começo de 2008. Este impacto foi reprimido primeiramente pelos problemas práticos com a oferta, como as dificuldades de abastecimento de madeira na região nórdica e na Indonésia, bem como na América do Norte. Quando este movimento foi atenuado, simultaneamente ao declínio da demanda, os estoques dispararam e a queda de preços foi ainda mais acelerada.
Em geral, qual é o impacto da queda ou avanço do dólar contra o euro nos preços da celulose cotados na moeda norte-americana?
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Quanto mais fraco o dólar, maiores serão os preços. Quanto mais forte o dólar, menores os preços. Ou seja, mudanças nas taxas de câmbio podem aumentar ou reduzir a volatilidade nos preços da celulose.
Uma disparidade prolongada pode ter impacto também sobre os padrões de oferta e demanda. Os países de moeda “fraca” se tornam mais competitivos e exportam mais papel (ou celulose) e, por conseguinte, alteram os fluxos comerciais. E, ainda, disparidades por um período ainda mais prolongado também afetam decisões de investimento em celulose e papel.
Regiões de moeda “forte”, como a zona euro entre 2005 e 2008, não conseguem competir com exportações de papel e, com isso, vendem mais da matéria-prima para sua região, o que pressiona ainda mais os preços, porém, também reduz as necessidades do mercado de celulose e a inatividade é mais facilmente contornada.
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Como o aumento ou redução de capacidade afeta o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de celulose?
Ciclos de fornecimento deterioram os ciclos de preços, ou seja, aumentam a volatilidade deles. A indústria ganha dinheiro na primeira parte deste ciclo (quando os custos unitários ainda são baixos), os players investem em novas capacidades – e, muitas vezes, também lucram no momento em que a demanda já arrefeceu.
| “Ciclos de fornecimento deterioram os ciclos de preços, ou seja, aumentam a volatilidade deles” |
Ajustes de produção são comuns quando fica claro que o mercado sofreu alguma alteração, mas eles sempre começam muito tarde o trabalho de frear o aumento dos estoques e a pressão dos preços torna-se consideravelmente difícil.
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Os credores, por vezes, empurram as empresas a funcionarem em plena capacidade e encontrar compradores “a qualquer preço” para aumentar o volume de negócios e, assim, agravam ainda mais o problema de excesso de capacidade.
Nos últimos seis meses, de que maneira o aumento nos estoques pressionou os preços da matéria-prima?
Os preços da celulose sempre iniciam um movimento de queda quando a relação entre embarques e estoques registra queda por, no mínimo, três meses consecutivos. Os preços da celulose raramente se recuperaram até que os estoques tenham caído para próximo do normal (ou abaixo) e a relação entre estoques e embarques tenha registrado três meses consecutivos de elevação.
Sobre a Foex
A Foex Indexes é uma empresa independente, situada em Helsinki, Finlândia, que levanta, semanalmente, os índices de preços para os principais tipos de celulose e papel negociados na Europa, bem como o preço do papel imprensa nos EUA.
Embora publicamente disponíveis, qualquer uso comercial dos índices exige uma permissão, ou seja, qualquer utilização comercial sem tal consentimento, portanto, é ilegal. Os índices PIX são estatisticamente confiáveis e também auditados pela Ernst & Young, uma das maiores companhias de auditoria do mundo.