Entrevista: confiante, Providência espera manter boa margem em 2009

Diretor de RI enaltece benefícios provenientes do dólar e do petróleo, mas pondera sobre "ajuste natural do mercado"

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SÃO PAULO – A Companhia Providência (PRVI3) olha os números dos primeiros três meses do ano como uma prova de acerto na estratégia de se direcionar à fabricação de nãotecidos. Sem a divisão da unidade de tubos e conexões de PVC, a empresa mostrou avanço expressivo de margens operacionais na comparação com igual período em 2008.

“Apesar de toda a crise mundial, estamos muito confiantes este ano. E acreditamos que o caminho que a Providência está tomando do ponto de vista estratégico é realmente o ideal”, disse em entrevista à InfoMoney Eduardo Feldmann, diretor de Relações com Investidores.

Em seu núcleo de negócios, a companhia viu a margem Ebitda (geração operacional de caixa sobre receita líquida) passar de 22% no primeiro trimestre do ano passado para 31,5% neste ano. No final de 2008, a empresa optou por vender a área de tubos e conexões por R$ 82 milhões. Confira a entrevista:

InfoMoney – A empresa apresentou avanço de margens operacionais em momento de crise. Quais foram os fatores que permitiram esse desempenho?

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Eduardo Feldmann – Tivemos um trimestre bastante oportuno onde, além do aumento da taxa do dólar, que ajuda nossas margens, houve uma queda muito forte do preço do petróleo que acabou influenciando a cadeia da nossa principal matéria-prima, o polipropileno.

Por outro lado, nas vendas do nosso produto, não tivemos uma redução de preço de venda na mesma velocidade com que houve a queda no preço do polipropileno. Através disso, melhoramos a margem no trimestre.

Acreditamos que, ao longo do ano, essa margem não deve ficar no mesmo patamar, mas também não terá uma queda significativa. Vai existir um ajuste normal dentro do mercado. É a grande batalha entre compradores e vendedores; nossos clientes também acompanham esses preços. Mas, sem dúvida, vamos manter boa margem ao longo do ano.

Qual foi o motivo da venda da unidade de tubos e conexões?

O motivo da venda foi o nosso plano estratégico. O nosso objetivo é que a companhia seja um dos maiores players mundiais de nãotecido. E, na realidade, o negócio de PVC exigia um gasto das nossas energias, além de fortes investimentos. Já o negócio de nãotecido, tradicionalmente, tem uma margem melhor do que o PVC. Então, achamos que conseguimos agregar maior valor aos acionistas, em melhorar nosso negócio, focando justamente no nãotecido.

No nosso caso também, do ponto de vista estratégico, do jeito que estava o negócio de PVC para a Providência não poderia ficar. Ou nós realmente vendíamos, que era a intenção para focar no nãotecido, ou fazíamos um investimento. As máquinas são mais antigas e não tínhamos uma linha completa de produtos. Ela foi vendida por R$ 82 milhões.

A saída da unidade de PVC explica a redução de despesas?

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Parcialmente. Nas despesas do primeiro trimestre, cerca de 80% do CPV (Custo de Produto Vendido) é nãotecido. Mesmo retirando o tubo de conexões, a queda do CPV é significativa. Tivemos um trabalho de redução de custos fixos na empresa. Ao longo do ano passado, além da instalação de um novo ERP (sistema integrado de gestão empresarial) – para o sistema SAP -, fizemos um trabalho muito forte de programas de qualidade com o INDG (Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial).

Para ter uma ideia, em termos de pessoal, tínhamos um pouco mais de mil funcionários somando também a área de PVC. Quando essa saiu ficamos com um pouco mais de 700. Hoje somos 630; ou seja, não tivemos uma redução de folha significativa.

Outro fator importante na questão de custos e também de vendas é a entrada de uma máquina nova no ano passado, que chamamos de KAMI9. Cada uma das máquinas nós batizamos de KAMI, e temos ao todo dez máquinas dentro da Providência. A 9 é nossa máquina mais moderna, que permite fazer produtos de maior valor agregado. Com menos polipropileno você consegue fazer produtos com maior valor qualidade, ajudando no CPV.

Quais as perspectivas para vendas no mercado interno e externo?

Basicamente, não trabalhamos com perspectivas, mas podemos dar uma ideia de volume. A ideia é que o segundo trimestre tenha um volume de vendas muito próximo ao primeiro trimestre. E achamos que a tendência ao longo do segundo semestre é de um aumento no volume de vendas até o final do ano.

Como o departamento de RI vem trabalhando no sentido de elevar a negociação das ações em bolsa?

Nós renovamos o contrato de market maker (formador de mercado) junto com banco UBS e estamos preparando a participação da Providência em uma série de eventos públicos ao longo do ano para divulgar a companhia. Por exemplo, nesta semana, faremos pela primeira vez uma reunião Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) em Minas Gerais, Belo Horizonte.

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Pretendemos fazer outros eventos que mostrem a Providência não só para investidores institucionais, mas também para pequenos investidores.