Entre rumores, Société Générale afirma que Europa irá compartilhar risco

Declarações recentes levam a acreditar que Alemanha deverá ceder às compras de títulos, mas não sem exigir fortes contrapartidas

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SÃO PAULO – “O suspense está aumentando à frente do encontro de 6 de setembro do BCE (Banco Central Europeu), quando os mercados esperam ver reveladas as modalidades das novas medidas não-convencionais”, escreve em relatório a chefe global de economia do Société Générale. 

Nos últimos dias muitos rumores surgiram na imprensa internacional. O Der Spiegel publicou durante o fim de semana que o BCE estuda estabelecer um limite para os juros dos títulos públicos de países como Espanha e Itália. Embora a autoridade monetária tenha negado as especulações, o britânico The Daily Telegraph reforçou essa tese nesta terça-feira.

O jornal britânico ainda reforçou que um membro alemão do quadro executivo do BCE, indicado pela chanceler Angela Merkel, concorda com as compras ilimitadas de dívida, conforme proposto pelo presidente Mario Draghi anteriormente. Por sua vez, o banco central alemão já criticou abertamente – e diversas vezes – essa medida.

“Uma mensagem é clara e consistente, no entanto, haverá mais compartilhamento de risco na Zona do Euro, mas não sem condicionalidades”, escreve a economista. Esse é um processo político e que levará tempo, diz. Para sustentar essa tese, ela levou em conta cinco evidências.

Cinco pontos centrais
Em primeiro lugar, a condicionalidade veio para ficar, já que essa é uma posição defendida pela Alemanha desde o início da crise e reiterada nas declarações recentes.

Adiante, a compra de títulos públicos será focada em um prazo de vencimento mais curto, como já foi apontado pelo banco central alemão, e será potencialmente ilimitada, uma vez que Mario Draghi afirmou que a ação da autoridade monetária “será o suficiente”. Michala lembra que, caso Espanha e Itália peçam ajuda aos fundos de resgate, e que esse programa dure três anos, o BCE poderia comprar até € 400 bilhões. Mas o valor deverá ser consideravelmente menor, complementa.

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Outra conclusão que se chega dos recentes fatos e rumores é que compartilhar risco não é igual ao desaparecimento do risco. Isso foi reforçado pelo banco central alemão na segunda-feira, quando disse que qualquer compra do BCE viria junto com riscos para a estabilidade. “Um ponto reiterado em diversas ocasiões pelas lideranças alemãs é que até mesmo a Alemanha não tem recursos ilimitados”, alerta.

Por fim, a última conclusão é a postura crítica do Bundesbank às compras de títulos. O banco central alemão lembra que o compartilhamento de risco faz menção a políticas fiscais e, assim, o tema deveria ser tratado pelos governos e parlamentos. “Como a corte constitucional alemã se prepara para dar seu voto preliminar sobre o ESM (Mecanismo Europeu de Estabilização) em 12 de setembro, esse não é um comentário irrelevante”, conclui Michala.

Merkel viaja para decidir futuro da Europa
E, para isso, os políticos já se movimentam. Angela Merkel se encontrará com o presidente francês François Hollande no dia 23, com o primeiro-ministro grego Antonis Samaras no dia 24, com o primeiro-ministro italiano Mario Monti em 29 de agosto e com o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy em 6 de setembro, o mesmo dia do encontro do BCE.

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“Importante monitorar esta semana se a Alemanha está mesmo a beira de alterar sua postura perante a crise”, recomenda em relatório Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos.

Para ele, se Angela Merkel realmente se mostrar mais disposta a “socializar as perdas” no curto prazo, então isso seria bastante positivo para os mercados e poderia levar o otimismo a durar mais algumas semanas. Contudo, caso as expectativas sejam frustradas e as medidas continuem apenas comprando tempo para os países, sem alterações estruturais, os mercados podem voltar próximo às suas mínimas do ano, alerta.