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SÃO PAULO – Quilômetros de congestionamentos, lojas abertas durante a madrugada, consumidores acampados à frente dos shoppings: assim costumava ser a Black Friday nos EUA até alguns anos atrás. Hoje, a recessão e a internet mudaram completamente a cara do dia que inaugura a temporada de compras de final de ano no país.
Ainda assim, a data – que tradicionalmente ocorre um dia após o feriado de Ação de Graças – mantém sua importância. “A Black Friday é um dos primeiros termômetros de como será a performance do setor varejista norte-americano no final de ano”, afirma Sy Harding, presidente da Asset Management Research Corporation.
Assim, enquanto muitos nesta quinta-feira (26) pensam no que agradecer e preparam seus banquetes típicos do feriado, outros tentam antecipar tendências e prever como será a Black Friday de 2009. Afinal, o consumo corresponde a nada menos que 70% da economia norte-americana, e a temporada novembro/dezembro, por sua vez, representa 50% dos lucros e vendas registrados pelos varejistas do país em todo um ano.
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“Esse ano a Black Friday será ainda mais relevante. Ela poderá tanto confirmar uma melhora no cenário econômico quanto alimentar temores de que a recuperação registrada no terceiro trimestre foi apenas temporária e que um retorno à recessão é possível”, pondera Harding.
De olho nas pesquisas…
A tentativa de se traçar previsões passa necessariamente por uma análise das pesquisas e estatísticas lançadas recentemente sobre o setor de consumo nos EUA. De acordo com dados coletados pela Federação Nacional de Varejo do país, 134 milhões de norte-americanos planejam ir às compras na próxima sexta-feira.
O número é inferior ao reportado em 2007, mas já representa um avanço da ordem de 4% frente aos 128 milhões somados no ano passado. “A despeito do que já vimos nas últimas semanas em termos de promoções, os varejistas ainda têm alguns truques na manga para estimular os consumidores”, afirmou Tracy Mullin, presidente da Federação.
Descontos de até 70% já foram anunciados por redes de grande porte do comércio norte-americano, como a Toys R Us e o Wal-Mart, bem como a tradicional estratégia de funcionamento das lojas durante a madrugada. Outra característica que já vem sendo presente nos últimos anos é a de extensão dos descontos concedidos na Black Friday também no sábado e domingo seguintes, em um fenômeno já apelidado por muitos no mercado de “Black Weekend”.
A Deloitte recentemente lançou uma pesquisa segundo a qual cerca de um terço dos norte-americanos pretende gastar mais em suas compras de final de ano do que imaginavam há um ou dois meses.
…e também nos indicadores
Outra estratégia válida e muito adotada por analistas para tentar prever o desempenho do comércio norte-americano nesta Black Friday e, de forma geral e mais ampla, em toda a temporada de compras de final de ano, é analisar os indicadores econômicos recentemente divulgados no país.
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A equipe do Credit Suisse é uma das que adotam a tática. Os analistas do banco destacam a alta de 0,7% registrada pelo Personal Spending no mês de outubro. O desempenho do indicador, que reflete os gastos da população, veio acima do esperado pelo mercado e, como destaca o Credit Suisse, “sem qualquer suporte dos incentivos fiscais concedidos pelo governo”.
Outro fator apontado pelo Credit Suisse é a expansão reportada nos salários desde a metade do ano, que também pode propiciar um consumo maior dos norte-americanos. Já Sy Harding ressalta a alta de 1,4% no volume de vendas do mercado varejista do país durante o mês de outubro, de acordo com o Retail Sales divulgado há dez dias.
No entanto, há também o que se ponderar. Tal expansão de 1,4% leva em conta o item “vendas de automóveis”. Excluídas tais vendas, consideradas muito voláteis pelo mercado, a alta registrada cai para 0,2%, bem abaixo das expectativas do mercado, que giravam em torno de 0,4%.
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Por que não de novo?
Desta forma, a visão que predomina entre os analistas é a de que a Black Friday de 2009 – bem como toda a temporada de vendas de final de ano – tende a ser ligeiramente melhor que a observada no ano passado, que, por sinal, a despeito da crise que se abatia fortemente sobre o país na época, não foi de todo ruim.
Em 2008, o comércio norte-americano arrecadou US$ 41 bilhões no “Black Weekend”, com o comprador médio gastando US$ 372,57, valor 7,2% superior ao registrado em 2007. “Se no ano passado fomos surpreendidos positivamente, por que não seríamos também desta vez?”, afirmam analistas.