Entre otimismo e ceticismo com decisão do Fed, bolsas operam sem tendência

Planos do Banco Central dos EUA impulsionam commodities e Treasuries, mas não sustentam os mercados acionários

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SÃO PAULO – Com um cenário que varia entre o otimismo e a dúvida em relação às medidas anunciadas pelo Federal Reserve na última sessão, esta quinta-feira (19) começa sem tendência nos mercados internacionais. Enquanto as bolsas europeias operam em alta refletindo a decisão do banco, os futuros de Wall Street indicam um ajuste negativo após os ganhos da quarta-feira.

Para esta sessão, a agenda norte-americana reserva a divulgação do número de pedidos de auxílio-desemprego, com o Initial Claims programado para 9h30 (horário de Brasília). Mais tarde, às 11h00, o mercado confere os dados da atividade industrial, com o Philadelphia Fed Index, e o Leading Indicators.

Por enquanto, o mercado ainda reflete os acontecimentos da última sessão, quando o Fed anunciou planos de comprar até US$ 300 bilhões em Treasuries de longo prazo e um adicional de US$ 750 bilhões em títulos lastreados em hipotecas. Como era esperado, a taxa básica de juro foi mantida no intervalo entre 0% e 0,25% ao ano.

“No final, a grande notícia é a disposição do Fed de mudar para o relativamente desconhecido território da flexibilização quantitativa com um foco específico na compra de Treasuries”, afirma Millan Mulraine, estrategista do TD Bank. Segundo ele, com a aquisição de títulos do Tesouro norte-americano, o Fed pretende reduzir os yields desses ativos, que têm sido um benchmark para diversas taxas de empréstimo.

Treasuries em alta

Ao que tudo indica, os planos do Federal Reserve tiveram o impacto esperado – ao menos nestes primeiros dias depois do anúncio. Seguindo a queda de 47 pontos-base da última sessão, os yields dos Treasuries com vencimento em 10 anos continuam caindo nesta manhã, chegando a 2,51%.

A expectativa também recai sobre as taxas de hipotecas. Depois do anúncio do Fed, o mercado espera que as taxas caiam ao menor patamar desde a Segunda Guerra Mundial.

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O que fazer com o dinheiro do governo

Depois da comoção da última sessão com o pagamento de bônus de US$ 165 milhões para funcionários da AIG, os líderes democratas da Casa dos Representantes marcaram uma votação para esta quinta-feira, visando a aprovação da proposta de tributar em 90% os pagamentos de bônus de executivos de empresas que receberam mais de US$ 5 bilhões em financiamento do governo.

Em meio a essa discussão, a mídia internacional divulga que o Citigroup irá gastar aproximadamente US$ 10 milhões em reformas dos escritórios de seu CEO, Vikram Pandit, e outros executivos. Vale lembrar que o governo já injetou US$ 45 bilhões no banco.

Ásia

No extremo Oriente, as notícias também têm relação com o combate à crise financeira internacional. Depois do Banco Central do Japão anunciar na última quarta-feira que irá comprar US$ 18,3 bilhões de títulos da dívida pública por mês, foi a vez do governo chinês se proclamar.

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O primeiro-ministro do país, Wen Jiabao, afirmou que o pacote de estímulo ao crescimento econômico tem que ser implantado “o mais rápido possível”, dado que o Estado necessita “atuar ativamente frente à crise, para prevenir a economia de um declínio”. A declaração rendeu alta aos mercados acionários chineses e de Hong Kong.

Commodities em alta

Reagindo às notícias vindas dos Estados Unidos e da China, as commodities operam no positivo nesta manhã, com a expectativa de que a demanda se fortaleça em dois dos principais mercados consumidores do mundo. Metais, produtos agrícolas e o petróleo registram forte alta em Londres.

UBS

No Velho Continente, o destaque fica com o noticiário corporativo. O banco suíço UBS anunciou que irá recomprar € 1 bilhão de dívida para aumentar a proporcionalidade de capital, além de pedir aos acionistas a aprovação de um futuro aumento de capital, caso se faça necessário. Com as notícias, as ações do banco já registram quase 50% de alta nos últimos oito dias.

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No Brasil

Por aqui, o destaque fica com a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que reforçou as preocupações com o cenário econômico ao mesmo tempo em que reiterou as impressões de redução contínua do risco inflacionário. Na última reunião da autoridade monetária, foi decidido por um corte de 150 pontos-base na taxa Selic, para 11,25% ao ano. Os analistas aguardavam a ata para tirar sinalizações de passos futuros do órgão.

No início da manhã também foi divulgado o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao segundo decêndio de março, que apontou deflação de 0,36%, taxa 0,81 ponto percentual abaixo da registrada no mesmo período do mês anterior (+0,45%).