Entre os desafios do Fed, algo elementar: manter os mercados funcionando

Ciente da importância da rotina no campo das finanças, BC dos EUA adota medidas ambiciosas para buscar o que é trivial

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SÃO PAULO – Alguns economistas mais críticos podem interpretar como socorro. Mas, em um cenário de crise financeira, o objetivo prático e fundamental dos bancos centrais frente ao mercado é de manter as coisas funcionando.

As instituições privadas precisam continuar concedendo e tomando financiamentos, e os investidores devem seguir comprando e vendendo ativos. Grandes esforços são quase sempre justificáveis para impedir que a possibilidade de calote não se transforme em certeza, gerando um efeito paralisante ao longo da cadeia.

Tanto os cortes de juro quanto o empréstimo de US$ 200 bilhões em Treasuries mostram que o Fed caminha nesse sentido, o de manter as coisas funcionando. Há um risco moral implícito, é óbvio. E também as pressões inflacionárias. Contudo, Ben Bernanke deixa claro que devolver a ordem ao sistema é prioritário.

Em busca de rotina

Comentários das autoridades monetárias norte-americanas apontam a intenção de preservar alguma dinâmica em meio ao pânico corrente. Exemplo no discurso de Ben Bernanke ao Congresso dos EUA, em fevereiro.

“O Federal Reserve continua trabalhando com instituições financeiras, órgãos públicos e comunidades por todo o país, de modo a evitar que as famílias abandonem o pagamento de hipotecas”.

Ou “para aliviar as pressões sobre o mercado interbancário, o Federal Reserve está trabalhando com outros bancos centrais, a fim de superar restrições que podem impedir metas mais amplas em economia”.

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Isto é, Ben Bernanke também tem como premissa a busca por um padrão regular nas transações diárias, por meio do qual cada agente privado cumpra seu papel cotidiano. O Fed age pela rotina, pela naturalidade. É assim que um BC pode formular política monetária “olhando para o mercado”.

Em dose certa

A sensibilidade frente ao mercado é freqüentemente criticada por economistas que enfatizam o status de autarquia do BC, uma instituição imparcial e focada exclusivamente na estabilidade econômica.

Cabe lembrar, contudo, que a estabilidade passa necessariamente pelos mercados; o que não significa socorrê-los. Medidas para amenizar liquidações urgentes feitas com grandes descontos servem ao sistema como um todo, e não apenas aos eventuais vendedores.

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Sem fornecer garantias definitivas – ou paternalistas -, o Fed calcula ações para que todos ganhem tempo enquanto o aperto nas condições creditícias se dissipe. Bernanke parece ciente de que a ordem se faz também de disciplina, mas não só.