Publicidade
SÃO PAULO – A sexta-feira (13) parece um pouco mais do mesmo que vêm sendo os últimos pregões: novos números preocupantes trazidos por indicadores econômicos impedem uma dissipação das tensões e, com isso, mantêm um clima incerto nas principais bolsas do mundo.
Mais uma vez, as referências desfavoráveis vêm sobretudo dos EUA. As vendas ao varejo por lá cresceram 0,4% em julho, abaixo da alta de 0,5% esperada. O Michigan Sentiment indicou melhora da confiança do consumidor norte-americano, mas também aquém das projeções, enquanto o CPI (Consumer Price Index), índice que mede a evolução dos preços ao consumidor nos EUA, superou o previsto ao registrar variação positiva de 0,3% no mês passado.
A alta do CPI reforça o tom do discurso feito nesta sexta-feira por Thomas Hoenig, presidente do Fed de Kansas City. Hoenig reiterou suas críticas à atual postura do Federal Reserve, afimando que juros básicos próximos de zero são “uma aposta perigosa”, e descartou motivos para temer um cenário de deflação.
Nesse ambiente tomado por preocupações acerca da economia norte-americana, bons números divulgados na Europa agem como um contrapeso nos mercados. Logo pela manhã, a Eurostat divulgou um crescimento de 1% registrado no PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro no segundo trimestre de 2010 frente ao primeiro trimestre do ano. O destaque ficou com a expressiva expansão de 2,2% reportada na Alemanha.
Por aqui, a ausência de indicadores de peso concede ao plano corporativo o posto de destaque. Entre os muitos resultados divulgados na noite passada e nesta sexta-feira, atenção aos da Cosan, que viu seu lucro líquido cair de R$ 337,3 milhões para R$ 8,7 milhões na passagem anual, e aos da TAM, que amargou no segundo trimestre deste ano um prejuízo líquido de R$ 154,1 milhões. Os dois papéis operam em queda nesta tarde.
Ibovespa em alta
Impulsionado pelos balanços corporativos domésticos, o Ibovespa da bolsa de valores de São Paulo apresenta leve alta de 0,48% nesta tarde e atinge 66.284 pontos. O volume financeiro é de R$ 3,219 bilhões.
Continua depois da publicidade
O principal destaque positivo fica com as ações OGX Petróleo ON (OGXP3), que registram valorização de 4,91% e são cotadas a R$ 19,67. Com essa variação, a alta acumulada desde o início do ano chega a 15,03%.
Por outro lado, o pior desempenho fica com os papéis TAM PN N2 (TAMM4), que são cotados a R$ 27,12 e apresentam forte baixa de 4,37%.
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
Continua depois da publicidade
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| OGXP3 | OGX Petróleo ON | 19,67 | +4,91 | +15,03 | 425,40M |
| RSID3 | Rossi Resid ON | 15,53 | +3,60 | +3,06 | 58,22M |
| PDGR3 | PDG Realty ON | 17,41 | +3,32 | +1,72 | 43,62M |
| PCAR5 | Pao de Açucar PNA | 59,27 | +2,37 | -7,96 | 68,03M |
| FIBR3 | Fibria ON | 28,40 | +2,27 | -27,35 | 59,90M |
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| TAMM4 | TAM PN N2 | 27,12 | -4,37 | -25,01 | 48,89M |
| ALLL11 | ALL UNT N2 | 15,42 | -2,41 | -5,34 | 21,06M |
| USIM5 | Usiminas PNA | 48,12 | -1,84 | -2,31 | 101,48M |
| TCSL3 | TIM Part ON | 7,30 | -1,75 | +2,10 | 1,94M |
| LIGT3 | Light ON | 21,61 | -1,55 | -9,73 | 7,88M |
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
Treasuries e petróleo
Frente à aversão ao risco, o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano, principal referência de juro a longo prazo nos EUA, mostra forte queda, indicando expressiva trajetória ascendente no preço. O risco-País também reage e sobe 1 ponto, atingindo os 196 pontos.
Continua depois da publicidade
No mercado de commodities, a tendência também é de baixa, acompanhando os temores de uma recuperação econômica norte-americana mais frágil, o que implica menor consumo dos produtos. O preço do barril de petróleo é negociado em Nova York a US$ 75,00 cada, um recuo de 0,69%.
Câmbio e renda fixa
Ainda que o clima lá fora seja bastante negativo, por aqui, a maioria dos resultados corporativos surpreendeu positivamente. Neste cenário, o dólar comercial opera em queda nesta tarde, de 0,17%, sendo cotado a R$ 1,771.
Tendência semelhante é apresentada no mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, ainda que por outros fundamentos, já que a fragilidade externa poderá significar um aperto monetário mais ameno a ser implementado aqui pelo Copom (Comitê de Política Monetária).