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SÃO PAULO – Para as viúvas do não-rali de fim de ano, o começo de 2011 é animador. Desafiando as expectativas de ajuste nos preços dos ativos, os mercados de ações voltam a iniciar a sessão desta quinta-feira (6) em alta.
Se a correção parecia inevitável na véspera, os dados melhores que o esperado nos EUA vieram ao socorro dos bulls e levaram os mercados globais para nova sessão de ganhos – algo que se estendeu para as bolsas asiáticas nesta quinta-feira, à exceção de Xangai, pressionada por temores de regulação financeira.
Nesta manhã, ganha destaque a alta dos principais índices acionários europeus, ajustando-se ao desempenho mais forte dos mercados norte-americanos no final do pregão da véspera. Já nos EUA, os mercados futuros apontam para nova abertura em alta de Wall Street.
Momentum positivo
“Ações, rendimentos, o dólar e commodities: todos foram impulsionados pela expectativa de crescimento nos EUA”, destacou Christin Tuxen, analista do Danske Bank.
Considerada uma prévia do crucial relatório de emprego, a ser divulgado na próxima sexta-feira, o ADP Employment revelou que o setor privado gerou 297 mil postos de trabalho líquidos em dezembro nos EUA, frente aos 100 mil esperados – “melhor resultado desde o início da série em 2001”, apontou a corretora Ativa.
No ano passado, a volta aos níveis anteriores à crise do Lehman Brothers chegou a ser comemorada, mas agora a busca é por novos recordes. No Brasil, o Ibovespa aproxima-se de sua máxima histórica, ao passo em que o Índice Nikkei atingiu seu maior patamar em oito meses.
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“As poucas notícias econômicas divulgadas foram conflitantes, mas no geral positivas”, afirmou o economista Ted Wieseman, do Morgan Stanley. Por sua vez, o analista Brian Jones, do Société Générale, afirmou que “precisaremos de uma confirmação na sexta-feira, mas parece que a eleição destravou demanda por trabalho reprimida”.
Pode acontecer de novo…
Por enquanto, um movimento mais pronunciado de correção parece afastado. Entretanto, alguns sinais desfavoráveis já aparecem aos investidores, como as vendas no varejo da Zona do Euro, que registraram queda de 0,8% na passagem mensal em novembro, contrariando projeções de alta em 0,2%.
Brasil
Internamente, o Governo continua seu esforços de guerra para reduzir a apreciação do real frente ao dólar. Desta vez foi o Banco Central que anunciou o recolhimento compulsório de 60% sobre o valor de posições vendidas em dólares que excedam US$ 3 bilhões.
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“O câmbio apreciado e a dinâmica das importações contribuem para a contenção de uma parte da inflação. Mas os bens comercializáveis respondem por apenas um terço do IPCA (…) e a política do governo de tentar minimizar os efeitos do enfraquecimento geral do dólar reduz a eficácia do canal do câmbio”, comentaram os analistas da LCA Consultores.
Na agenda do dia, ganha destaque a divulgação do IGP-DI, que ficou aquém do esperado pelo mercado em 2010, apontando inflação de 11,30%, após importante desaceleração em dezembro, atingindo 0,68%.
Pelo cenário corporativo, ganha importância a especulação sobre a criação de uma nova bolsa de valores, a qual concorreria com a BM&F Bovespa, cujos papéis foram destaque entre as perdas da véspera.