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SÃO PAULO – A expectativa de que o forte crescimento dos Brics (sigla do grupo Brasil, Rússia, Índia e China) seja suficiente para sustentar a economia global, em meio à desaceleração financeira na Europa e nos Estados Unidos é mera ilusão, avaliou o consultor francês Pierre Delage, por meio de análise publicada no site da Forbes nesta segunda-feira (3). Para o especialista, apenas a Índia tem chance de sustentar um crescimento forte, devido à diversidade de sua economia.
“Há um grande consenso nos últimos anos sobre quanto perdurará a evolução dos Brics, especialmente a China, que ultrapassou o Japão como a segunda maior economia global. A China, porém, tem sido um grande calcanhar de aquiles. Já temos visto a desaceleração do país”, disse. “Tendo em vista que a sigla foi criada por um dos maiores bancos especulativos do mundo [Goldman Sachs], a criação do termo pode significar apenas uma grande especulação”, analisou.
Ele exemplifica que a sigla foi criada como forma de marketing para, possivelmente, os bancos “venderem” ativos relacionados aos países, assim como o termo PIIGS (sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) foi criado para denegrir a imagem dos países com maiores problemas fiscais na Zona do Euro.
O consultor pondera, no entanto, que os Brics deverão continuar a ter ativos suficientes, bastante recurso natural e força de trabalho expressiva para justificar seus crescimentos, enquanto as economias da Europa e Estados Unidos continuarão a declinar.
Brasil
Delage diz que o resfriamento da economia brasileira tem como suporte a queda no preço das commodities neste ano. “O Brasil já está com crescimento fraco alinhado ao dos Estados Unidos, em torno de 2% a 3%. A economia brasileira é pouco diversificada e bem dependente da exporação de matéria-prima, que tem sido muito afetada com a demanda menor do Ocidente”, disse o consultor.
Rússia
A Rússia é bem propícia a entrar em recessão em um “W” ou mergulho duplo, como aconteceu em 2009, segundo o consultor. Ele explica que o crescimento do país é totalmente dependente do setor de energia e commodity, e pouco tem sido investido para ampliar o leque da economia russa.
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“Isso explica porque a economia da Rússia caiu 8% em 2009. Esse retrocesso do PIB (Produto Interno Bruto) poderá se repetir, caso a demanda por energia caia novamente. O país também sofre com falta de mão de obra, o que atrapalha ainda mais o crescimento russo”, explica.
Índia
Na visão do consultor, entre os países integrantes da sigla, apenas a Índia tem condições de manter crescimento robusto. Ele ressalta que o país tem demografia dinâmica e economia balanceada, entre produção da indústria e serviços, exportações e demanda interna.
China
De acordo com Delage, o país tem perdido competitividade por conta da apreciação do Yuan e da falta de mão de obra qualificada. O consultor ressalta que a administração do Estado tem atrapalhado o crescimento do país, por ser condizente investimentos que não são produtivos para o país, motivados por líderes do partido comunista.
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“Parece ter um desperdício de dinheiro recebido de exportações na China”, disse. Segundo ele, soa que a maior parte dos esforços do governo para incentivar a demanda interna somados à desaceleração do PIB e o rebalanceamento da economia estão, principalmente, inflando a criação de uma bolha.