Entre Bernanke, China e Fed, bolsas dos EUA fecham com sinais opostos

Dow Jones conseguiu terminar em alta, enquanto o Nasdaq caiu 0,48%; bancos lideram perdas após anúncio do Fed

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SÃO PAULO – Após operarem em alta durante quase todo o dia, os principais índices acionários dos EUA perderam forças na parte final do dia e fecharam esta quinta-feira (7) com sinais opostos. A indecisão dos investidores foi em grande parte reflexo do movimentado noticiário desta sessão, que contou com discurso do Ben Bernanke, corte de juros surpreendente na China e a proposta de novas regras para os bancos norte-americanos – o que derrubou as ações do setor.

O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em alta de 0,37% a 12.461 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão praticamente estável atingindo 1.315 pontos. Já o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, apresentou queda de 0,48% chegando a 2.831 pontos.

Proposta de Basileia III derruba bancos
Na última hora de negociação, o Federal Reserve apresentou uma proposta para implementar o acordo internacional de Basileia III, acordo desenhado depois da crise de 2008 para garantir que o sistema financeiro consiga suportar outros momentos de turbulência na economia. Se aprovado, o acordo vai requerer que os bancos mantenham capital de alta qualidade equivalente a 7% de seus ativos de risco.

A notícia não caiu bem no mercado e as ações do setor financeiro registraram fortes perdas após o anúncio. O Bank of America viu seus papéis fecharam com desvalorização de 2,88%, enquanto os ativos do Morgan Stanley recuaram 3,8%.

China e Bernanke agitaram os mercados
O dia começou positivo para os mercados em Wall Street, refletindo a surpreendente notícia de que o governo chinês decidiu cortar a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 6,31% ao ano. O Dow Jones chegou a subir mais de 1% nos primeiros instantes de negociação.

Esse movimento de alta, no entanto, começou a perder forças ainda durante a manhã, enquanto o presidente do Federal Reserve Ben Bernanke discursava. Bernanke trouxe preocupação aos investidores ao dizer que, embora pretende anunciar novas medidas de estímulo à economia caso julgue necessário, não possui nenhum plano pronto para ser posto em prática. Além disso, o chairman do banco central norte-americano ainda demonstrou bastante preocupação com a situação atual na Europa.

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No momento em que Bernanke falava, o Dow Jones e o S&P 500 quase zeraram seus ganhos, enquanto o Nasdaq chegou a operar no vermelho. Contudo, o movimento de alta voltou a ganhar forças no começo da tarde, mas logo voltaram a cair com o anúncio do Fed.

Agenda econômica divergente
Embora com menos intensidade, a pauta de indicadores dos Estados Unidos também ajudou a trazer uma dose de volatilidade ao mercado. Às 16h (horário de Brasília), o Fed divulgou o Consumer Credit, mostrando que o volume de crédito concedido no país aumentou em US$ 6,5 bilhões em abril, menos que os US$ 10 bilhões esperado.

Mais cedo, o Departamento do Trabalho do país apresentou o Initial Claims, mostrando que o número de pedidos de auxílio-desemprego no país veio levemente melhor que o esperado ao marcar 377 mil novas solicitações – a expectativa era de 380 mil novas solicitações.

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Europa não ficou para trás
O fato do noticiário ter sido bastante carregado nos EUA e na China não tirou a Europa do radar dos investidores. Nesta sessão, a Espanha foi a bola da vez por lá: se por um lado o leilão de títulos de dívida foi surpreendeu positivamente pela forte procura dos investidores, por outro lado a Fitch rebaixou o rating do país em três notas, passando de A para BBB. A perspectiva para essa nova nota é negativa – ou seja, novos cortes podem vir nos próximos meses.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones +0,37 12.461 -3,64 +1,99 
 S&P 500 -0,01 1.315 -3,57 +4,56 
 Nasdaq -0,48 2.831 -3,91 +8,67