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SÃO PAULO – O Banco Central anunciou na última quarta-feira (15) a elevação da taxa básica de juros, a Selic, de 17,25% ao ano para 17,75%, sem viés. A decisão dos integrantes do Copom (Conselho de Política Monetária) foi tomada por unanimidade. Esta é a quarta elevação consecutiva da taxa.
Como era esperado, o aumento em 50 pontos base causou repercussão entre as entidades de classe e associações ligadas ao comércio e indústria. Em linhas gerais, a opinião é crítica em relação ao que julgam “extremo conservadorismo” do BC no combate à inflação.
Repercussão
De acordo com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, “o atual ciclo de aperto monetário é excessivo e desnecessário, porque a trajetória da inflação não indica aceleração”.
Na opinião da CNI, não há pressões generalizadas de preços motivadas por demanda exagerada, o que justificaria a intenção do BC em desaquecer a economia.
Já para a Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), as recentes decisões do Copom devem prejudicar o crescimento do comércio em 2005, uma vez que comprometem a ampliação do crédito. Além disso, a Federação acredita que as constantes altas da taxa de juros geram insegurança e desestimulam os investimentos do setor privado.
A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) prossegue o tom crítico em relação à medida do Banco Central. Marcel Solimeo, economista da associação, lembra que a elevação da Selic promove um círculo vicioso: “o mercado se baseia no conservadorismo do BC para fazer suas apostas, e o BC, por sua vez, segue o que o mercado aposta”.
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Crítica direta
Mais incisiva, a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) considera a última elevação da Selic “inoportuna, desnecessária e equivocada”.
A associação cita, ainda, uma série de prejuízos causados ao País, como a piora da competitividade das empresas brasileiras no exterior; o aumento dos custos de produção; o crescimento nos índices de inadimplência; e a redução generalizada da abertura de postos de trabalho, da massa salarial e da arrecadação de impostos.
Outra conseqüência grave é o “efeito psicológico” sobre o consumidor, que passa a acreditar na piora do cenário econômico e reduz suas compras, diminuindo o volume de vendas e desaquecendo o mercado.
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Em nota oficial, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) também criticou o aumento da Selic, classificando-o como “injustificável”. Segundo o documento divulgado, a entidade acha “incabível o Copom repetir o que fez ao longo dos últimos meses, encerrando o ano apenas agindo em sintonia com a especulação financeira”.
Vale lembrar que na próxima quinta-feira (23) o Copom divulga a ata de sua última reunião.