Entidades e associações criticam nova alta da Selic

Para Fiesp, efeitos dos sucessivos aumentos serão sentidos neste ano; a CNI, por sua vez, acredita em comprometimento da produção industrial brasileira

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SÃO PAULO – Como já era esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou a taxa de juros básica da economia (Selic) em 0,5 ponto percentual, elevando-a de 17,75% para 18,25% ao ano. A alta anunciada na última quarta-feira (19) é a quinta consecutiva.

Apesar desse aumento já estar incorporado aos preços do mercado, uma vez que os agentes econômicos o previam há algum tempo, a decisão do comando da política monetária do Brasil não foi poupada de críticas.

Críticas quase generalizadas

“Mais uma vez, o governo abre mão da decisão correta, para insistir na mesmice dos juros”, diz a nota da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) enviada à imprensa e assinada por seu presidente, Paulo Skaf. O texto prossegue com previsões pessimistas: “os sucessivos aumentos da Selic em 2004 começarão a produzir efeitos negativos mais fortes no setor produtivo a partir deste ano”.

Ainda de acordo com a Fiesp, o excessivo rigor da política monetária brasileira já produz sintomas indesejados no mercado, como maiores dificuldades do empresariado em conseguir financiamentos e do consumidor em obter crédito.

Esta opinião é compartilhada pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), que alertou, em nota, sobre a retomada de alta das taxas de juros aos consumidores em dezembro. Na opinião do presidente da entidade, Abram Szajmam, é imprescindível que os juros voltem a cair para que estimulem os investimentos e aqueçam o comércio, produzindo empregos e gerando renda.

Segundo o documento divulgado pela Fecomercio-SP, “o aumento da Selic não se justifica de forma alguma e compromete ainda mais o ritmo de crescimento da economia”.

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Sem razão de ser

Esta falta de justificativa também é apontada por outras vozes críticas. A CNI (Confederação Nacional da Indústria), que acredita em comprometimento da produção industrial do País, argumenta que a política de aperto monetário não produz, sobre o conjunto da economia, o efeito que o Banco Central supõe. Ou seja, a alta da Selic não tem tanto poder assim no controle da inflação atual do Brasil.

Na opinião do economista Rogério Mori, coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, isso ocorre porque a inflação que se nota no País decorre muito mais dos preços administrados que do excesso de demanda.

Vale lembrar que a alta da Selic combate apenas a inflação proveniente do mercado consumidor aquecido, já que inibe o crédito e diminui as vendas; no entanto, a elevação da taxa básica de juros não faz com que os preços administrados caiam, uma vez que são controlados por contratos. É o caso das tarifas de telefonia, da conta de luz e de gás.

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Ainda assim, Mori consegue enxergar algum resultado na decisão do Copom: “se os juros não fossem elevados, a inflação seria muito maior”.

Futuro incerto

Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), já que não se pode voltar atrás nesta decisão que considera equivocada, o que resta a fazer é “esperar pela ata do Copom, que dará a sinalização futura para a formação de expectativa dos próximos meses, extremamente importante para o comércio”, segundo disse Marcel Solimeo, economista da instituição.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores), por sua vez, foi menos comedida em suas declarações. Em nota oficial veiculada na manhã desta quinta-feira (20), a entidade diz que “o Copom joga um balde de água fria em todos aqueles que há muito tempo desejam que o Brasil tenha um desenvolvimento econômico vigoroso, de longo prazo, com distribuição de renda e inclusão social”.