Entidades contestam aumento de 9% dos planos de saúde

Idec pede mais clareza quanto ao cálculo do reajuste. Pro Teste lembra que aumento salarial do aposentado foi de 3,3%

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Caso a Agência Nacional de Saúde (ANS) anuncie que o reajuste dos convênios médicos será de 9% este ano, como prevêem as expectativas, haverá uma certa mobilização. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) pediu que o órgão tenha mais clareza em relação à metodologia utilizada para o cálculo, uma vez que o aumento que pode ser aplicado é três vezes maior que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo do período, de 2,58%.

A coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, é da mesma opinião: o aumento deve acompanhar a perda do poder de compra e não superar os 3%. Vale lembrar que o índice autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) passará a vigorar a partir de maio, para os contratos assinados de janeiro de 1999 em diante.

Acima da inflação

Já existe um histórico de encarecimento dos convênios médicos acima da inflação. Conforme divulgou o Idec por meio de nota, enquanto de 2000 a 2006 a variação acumulada do IPCA foi de 70,7%, os contratos novos de planos de saúde ficaram 86,17% mais caros.

O primeiro reajuste fixado pela ANS (5,42%, em 2000) para contratos individuais novos foi calculado considerando a média de uma cesta de índices de inflação.

A partir de 2001, a ANS passou a utilizar como critério a média dos reajustes livremente praticados pelas operadoras nos planos coletivos para a definição do teto máximo dos reajustes anuais dos planos novos individuais e familiares. Para o Idec, esse método não é adequado, já que a construção de um índice deve ser feita a partir de amplo debate com a sociedade, especialistas e instituições respeitáveis.

Salário

A Pro Teste, por sua vez, considera inaceitável um índice superior ao do ano passado (8,89%). Segundo a entidade, o próprio governo definiu 3,3% de aumento para os aposentados e pensionistas que ganham mais que um salário mínimo.

Levando em consideração que o custo do plano de saúde já representa quase 10% do orçamento familiar, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), haverá dificuldade para o pagamento da apólice.

“Os 5,71 milhões de usuários afetados pelo aumento não têm reajustes salariais nesses patamares e, de outro lado, os médicos, hospitais e laboratórios também não recebem por seus serviços valores nesse grau de atualização”, apontou a Pro Teste.

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