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Dentre tantos nomes familiares nas bolsas norte-americanas, como Microsoft, General Motors, Exxon, Citicorp e outros, uma empresa tem se destacado nos últimos dias, derrubando o mercado após a divulgação de resultados abaixo do esperado: a Cisco Systems. As ações da empresa norte-americana, líder no segmento de infraestrutura para internet, perderam 13,11% no pregão de ontem, reduzindo seu valor de mercado em US$ 33 bilhões (mais do que o valor de mercado da Petrobrás, a maior empresa brasileira, que vale cerca de US$ 29,5 bilhões) e negociando somente ontem US$ 8,7 bilhões, o equivalente a cerca de 29 pregões da Bovespa.
À exceção daqueles com bons conhecimentos na área, o ramo de atuação da Cisco pode parecer obscuro para muitos. A empresa é líder no segmento de conexões e infraestrutura para internet, sendo a maior produtora de roteadores, equipamentos que administram as rotas de dados (daí o nome), controlando o fluxo de informações que transita pela internet (inclusive seu e-mail, por exemplo), e que são indispensáveis para qualquer site. Além disso, a Cisco também atua na construção e operação de redes de fibra ótica e na operação de sistemas de transmissão de dados e de voz.
A Cisco chegou a ocupar o posto de maior empresa do mundo em valor de mercado há poucos meses, mas hoje situa-se na oitava posição dentre as maiores empresas norte-americanas, resultado da queda de mais de 60% no preço de suas ações desde o pico em março do ano passado. Apesar da baixa nas ações, o valor de mercado da empresa é hoje de US$ 225 bilhões, pouco inferior aos US$ 242 bilhões de todas as 441 empresas listadas na Bovespa. Dentre as empresas de tecnologia norte-americanas, a Cisco é somente superada pela Microsoft e pela Intel neste critério.
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A empresa divulgou ontem seus resultados do trimestre encerrado em janeiro, apresentando vendas de US$ 6,75 bilhões, 55% superiores ao mesmo período do ano anterior, mas abaixo das expectativas de US$ 7,2 bilhões. Os lucros atingiram US$ 1,22 bilhão, também ligeiramente abaixo do consenso dos analistas. A forte queda sofrida pelas ações deveu-se sobretudo à menor perspectiva de crescimento de vendas, que aumentaram apenas 4% em relação ao trimestre anterior e que podem apresentar crescimento negativo no trimestre atual, pela primeira vez desde que as ações da empresa são negociadas em bolsa.
Além dos efeitos da forte desaceleração da economia norte-americana, sobretudo nos investimentos em infra-estrutura, a Cisco também tem sofrido com o crescimento de seus competidores, como a Juniper Networks e a 3Com, que têm continuamente ampliando suas fatias de mercado. Desta forma, as perspectivas para 2001 não parecem positivas, mesmo que a economia norte-americana não confirme as previsões de hard landing. Além disso, apesar da forte queda das cotações nos últimos meses, a relação preço por lucro esperado (P/L) da empresa ainda está na faixa de 50 vezes, acima da média histórica de 30 vezes. Talvez a queda de 60% ainda não tenha sido o suficiente.