Entenda como a nova Lei das SA mudará o mercado de capitais no Brasil

O Senado aprovou ontem por unanimidade o projeto da Lei das Sociedades Anônimas sem nenhuma alteração em relação ao texto aprovado na Câmara e que deve seguir para sanção presidencial. Entre as mudanças da nova Lei estão as melhores condições aos acionistas minoritários, adequações da regulamentação para ampliar a atratividade dos mercados acionários aos investidores […]

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O Senado aprovou ontem por unanimidade o projeto da Lei das Sociedades Anônimas sem nenhuma alteração em relação ao texto aprovado na Câmara e que deve seguir para sanção presidencial. Entre as mudanças da nova Lei estão as melhores condições aos acionistas minoritários, adequações da regulamentação para ampliar a atratividade dos mercados acionários aos investidores e a maior transparência que passa a ser exigida para as empresas.

Além disso, o papel da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fica ampliado com a nova Lei, sendo que o órgão passará a efetivamente regulamentar e fiscalizar o setor, possibilitando à comissão o exercício de forma mais eficiente do seu papel no mercado. Deste modo, a intenção é de que exista de fato a governança corporativa das empresas de capital aberto, negociadas no mercado acionário brasileiro.

O projeto, que já demorou quatro anos de tramitação em comissões no legislativo, foi aprovado na semana passada pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição e Justiça (CCJ) com a rejeição de 43 novas emendas propostas por senadores. Deste modo, evitou-se que o projeto retornasse à Câmara, o que atrasaria anda mais a aprovação da Lei das SA e poderia comprometer a expansão do mercado de capitais no Brasil, o que ia contra a intenção do Executivo.

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Os parlamentares consideraram o projeto para a nova Lei das SA um sucesso: mesmo que não tenha sido o ideal já é adequado, de acordo com a opinião do senador Jose Agripino (PFL-RN), relator da matéria na CCJ. As discussões foram intensas, em especial, quanto ao papel dos minoritários nos conselhos da empresa e nos direitos com as reestruturações societárias. No entanto, foi aprovada a participação dos acionistas preferenciais no Conselho de Administração e o regresso do tag along aos minoritários com direito a voto.

O que muda na Lei das SA?

A lei que criou a Lei das SA e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entrou em vigor em 1976 e desde então é o que regulamenta as operações no mercado acionário brasileiro. Acompanhe as principais modificações:

Para que entre em vigor, a lei ainda precisa da aprovação do Executivo, sendo que o projeto deve ser encaminhado ao presidente da república já na próxima semana. Uma vez sancionada, a Lei das SA passa a valer 120 dias após a publicação oficial. As empresas que participam do mercado de capitais brasileiro deverão se ajustar às novas regulamentações da Lei das SA em até cinco anos. Neste sentido, a CVM já prepara cerca de 23 instruções para auxiliar as companhias neste período de transição.

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