Entenda como a crise pode quebrar paradigmas e reinventar o atual cenário

Especialistas falam dos conceitos que podem mudar e da necessidade de se investir com criatividade

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SÃO PAULO – Está nos livros de economia: as crises do sistema financeiro são cíclicas e, em meio a elas, é possível que se abram possibilidades de criação e rompimentos do mercado. Trata-se do movimento chamado de reinvenção da máquina a partir do caos.

Neste sentido, o InfoMoney quis saber quais as possibilidades do sistema sair modificado desta crise de financismo, ou seja, da queda na capacidade de financiamento de governos e instituições financeiras, que desde 2008 acomete o mercado global.

Para Leonardo Fernando Basso, professor do departamento de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, estamos passando por uma crise financeira tradicional que já atingiu o sistema capitalista e que vai continuar existindo. “Faz parte do funcionamento do sistema. Precisamos ser prudentes ao acreditar que essas crises não vão ocorrer novamente”, acredita.

Entre paradigmas que precisam mudar, segundo ele, está o fato do mercado ainda precisar pensar em soluções para este modelo de crise e impedir que volte a ocorrer. “Os países terão de ter mais controle dos gastos públicos”, afirma.

Outra mudança necessária é o estabelecimento de um maior controle do sistema bancário. “Se tivermos um maior controle dos empréstimos que os bancos fazem, será possível saber para onde esse dinheiro está indo. Sá assim os Governos terão mais segurança e não entrarão em um sistema de empréstimos tão arriscado, correndo o risco de não ser cumprido. É o caso dos bancos franceses que emprestaram dinheiro para a Grécia”, explica Basso.

Oportunidades
Se em alguns momentos, para os especialistas, parece que o mercado se esquece das teorias econômicas, haja vista a falta de atitude de alguns Governos, por outro, é possível enxergar boas oportunidade de criação nestes momentos de crise.

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“É sempre bom que as crises existam, pois sempre teremos oportunidades. O Brasil está em um status bem colocado, com suas empresas gerando grandes caixas. Neste sentido, a aquisição de ativos de empresas no exterior pode oferecer um bom retorno”, diz o professor do curso de Gestão Financeira da Veris Faculdades, Estevão Garcia de Oliveira.

Segundo ele, a aquisição de uma empresa na Grécia de hoje, por exemplo, pode funcionar bem para médias e grandes empresas brasileiras, pois no médio prazo essas companhias, hoje baratas, podem dar um bom retorno.

Outro possivel rompimento do “modus operandi”, e que poderá ser consolidado depois desta crise, na opinião do professor, é o comportamento do consumidor brasileiro. “Quem apanhou uma vez tem medo de apanhar de novo. Nós aprendemos a consumir bastante, especialmente em mercados antes mais parados, como o de imóveis, mas agora as vendas caíram. Isso advém da adaptação do consumidor da sua nova realidade de crise. Esta mudança já é um efeito e uma nova recriação da economia”, explica Oliveira.

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Para ele, as dívidas do brasileiro também reduziram, seja pela alteração do comportamento do consumidor, seja pelas mudanças do próprio mercado de concessão de crédito, que está mais cauteloso desde 2008.

Depois do rompimento, a criatividade nos investimentos
Na avaliação de Claudia Augelli, estrategista de investimentos da Eugênio Invest, o que deve ficar de lição para gestores e investidores neste momento é que, os conceitos das economias estrangeiras, nem sempre valem para o meio interno.

“Por exemplo, os gestores e investidores se importam muito com o mercado de fora, e certas práticas nem sempre se aplicam aqui no Brasil. Por exemplo, o aporte mensal funciona muito bem na bolsa americana, não aqui. Por outro lado, temos uma taxa de juros muito alta, diferente dos outros países, e que deveria ser olhada”, explica Claudia.

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Para ela, crise é sinônimo de oportunidade, mas alerta que o pequeno investidor deve observar o momento certo para atuar. “Aporte mensal aqui só funciona em momento de alta, a não ser que você queira fazer um preço médio de uma compra realizada anterioemente e em um momento de valorização do papel. Quando o mercado dá sinais como os de agora, a dica é migrar para a renda fixa”, diz.

Falando em diversificação, Claudia ressalta. “O mercado global e local já são bastante sofisticados e no Brasil há bons mecanismos de segurança. Agora, alguns investimentos mais marginais podem se sobressair no pós crise, em temos de maior popularidade e clareza por parte dos investidores”. O Tesouro Direto, os fundos long and short e os fundos multimercados são algumas opções.

O primeiro trata-se da aquisição de títulos públicos por pessoas físicas. Já o segundo é aquele onde o gestor opera basicamente dois ativos altamente correlacionados apostando que os spreads de cada vão se separar em dado momento. A partir daí o gestor permanece comprado em um ativo e vendido no outro. Com o passar do tempo, ele aguarda que esses spreads voltem a andar juntos, ou “se fecharem”, e, a partir daí, ele inverte a operação e ganha na média entre os preços.

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Por fim, a terceira opção de investimento que pode irromper no pós crise são os fundos multimercados, que são aqueles que possuem políticas de investimento que envolvam vários fatores de risco, podendo conter renda fixa, renda variável, câmbio, índices de preço e derivativos.

Neste contexto, a especialista deixa a dica e reforça o grande paradigma que deve ser rompido nos momentos de recessão econômica. “As crises estão ficando cada vez mais comuns, mas o investidor vem aprendendo que o momento de crise é o momento de ficar rico”. Só resta esperar para ver, se depois desta crise, este conceito será finalmente internalizado pelo investidor.