Enquanto Dow e S&P atingem máximas, Ibovespa fecha em baixa de 1,81%

Benchmark da bolsa esteve bastante descolada do cenário internacional, bastante pressionado pelas blue chips

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SÃO PAULO – Bastante descolado do mercado internacional, o Ibovespa registrou uma nova sessão de forte queda. O índice fechou esta terça-feira (2) em baixa de 1,81%, a 54.889 pontos, após um início de sessão positivo. O benchmark registrou a maior baixa desde o dia 20 de fevereiro, quando registrou perdas de 1,98%. O giro financeiro foi de R$ 6,43 bilhões. 

Com isso, o benchmark da bolsa fechou bastante próximo do menor patamar do ano, os 54.873 pontos que haviam sido registrados no dia 25 de março. As ações de blue chips, como a Vale (VALE3;VALE5), pressionaram o índice ao registraram quedas respectivas de 2,18% e 1,76% para os papéis ON e PNA. Já os ativos ordinários e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) tiveram baixas de 2,53% e 1,88%. Juntas, as ações das duas companhias respondem por cerca de 20% do índice. 

Enquanto os principais mercados europeus, fechados na véspera, fecharam o dia com altas acima de 1% – sendo que alguns, como os índices da Alemanha e da França, fecharam com ganhos próximos a 2% – nos EUA, os principais índices fecharam perto das suas máximas históricas. O Dow Jones registrou ganhos de 0,62%, a 14.662 pontos, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,52%, a 1.570 pontos, patamar menor apenas do que o observado em 11 de outubro de 2007, quando fechou aos 1.576 pontos. 

O catalisador das bolsas norte-americanos na sessão foi o setor industrial do país. O Factory Orders, indicador que mensura o número de pedidos feitos à indústria norte-americana, subiu mais do que o esperado em fevereiro, alcançando 3,0%, ante projeção de 2,6% e queda de 1,0% em dados revisados de janeiro.

Mas o destaque do dia continua na Europa, onde o noticiário foi mais movimentado. Por lá, o Ministro das Finanças do Chipre, Michael Sarris, renunciou após a conclusão das discussões com credores estrangeiros sobre resgate que vai forçar a ilha a impor grandes perdas aos depositantes dos bancos. A bolsa de valores local reabriu com queda. A bolsa local também suspendeu as negociações de dois bancos, o Bank of Cyprus e o Cyprus Popular Bank, até o dia 15 de abril, por conta do processo de reestruturação.

Para evitar a bancarrota da ilha, foi fechado um acordo com a UE (União Europeia), FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BCE (Banco Central Europeu) para um resgate de € 10 bilhões. Dirigentes do Chipre esperam selar os termos do acordo nesta semana, mas pedem termos mais brandos aos credores, que exigem cobranças sobre depósitos e congelamento de saldos bancários para resolver a crise financeira que estourou no país neste ano. 

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Altas e baixas
Na ponta negativa do Ibovespa, chamam atenção as quedas das ações da Brookfield (BISA3), com desvalorização de 9,02%, a R$ 2,22, seguidas pelos ativos da Gol (GOLL4), com queda de 6,39%, a R$ 10,98. Já as ações ordinárias da Usiminas (USIM3, USIM5) fecharam em baixa de 6,02%, a R$ 10,92.

Os ativos da Souza Cruz (CRUZ3) registraram alta de 2,97%, liderando os ganhos do índice, a R$ 30,12. As ações da Vanguarda Agro (VAGR3) tiveram alta de 2,38%, seguidas pelos papéis da Rossi Residencial (RSID3), que avançaram 1,64%, a R$ 3,10 e do Pão de Açúcar (PCAR4), com ganhos de 1,64%, a R$ 107,33. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BISA3 BROOKFIELD ON 2,22 -9,02 -35,09 24,29M
 GOLL4 GOL PN N2 10,98 -6,39 -14,88 35,88M
 USIM3 USIMINAS ON 10,92 -6,02 -20,12 7,65M
 PDGR3 PDG REALT ON 2,89 -5,25 -12,69 64,88M
 GFSA3 GAFISA ON 3,75 -5,06 -20,38 42,31M


As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON EJ 30,12 +2,97 -0,48 32,84M
 VAGR3 V-AGRO ON 0,43 +2,38 +4,88 9,10M
 RSID3 ROSSI RESID ON 3,10 +1,64 -31,87 30,44M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 107,33 +1,64 +18,60 48,79M
 MRVE3 MRV ON 8,48 +1,07 -29,22 78,77M


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 31,84 -1,76 524,35M 26.324 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,70 -1,88 336,31M 18.941 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 34,95 -1,41 281,12M 17.975 
 BBDC4 BRADESCO PN EJB 33,40 -1,10 237,92M 17.966 
 BBAS3 BRASIL ON 27,65 +0,07 207,25M 14.861 
 CMIG4 CEMIG PN 23,51 -1,22 116,08M 9.302 
 VALE3 VALE ON 33,20 -2,18 115,49M 10.392 
 CSNA3 SID NACIONAL ON EJ 8,85 -3,91 112,34M 20.614 
 ITSA4 ITAUSA PN 10,21 -1,54 105,13M 18.897 
 AMBV4 AMBEV PN 84,30 -0,55 103,66M 5.641 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

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Retração e desemprego
Ainda na Europa, o PMI final da zona do euro, que mede a atividade no setor industrial, atingiu sua mínima em três meses, ao marcar 46,8 em março – vale mencionar que números abaixo de 50 indicam contração da atividade. A prévia do indicador apontava 46,6, ante 47,9 em fevereiro.

Nem mesmo a Alemanha conseguiu se safar no mês. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial do país, que responde por cerca de um quinto da economia alemã, passou de um avanço em fevereiro, aos 50,3, para uma retração em março, quando marcou 49,0. Já a taxa de desemprego do bloco econômico ficou inalterada aos 12%, mesmo valor esperado por analistas.

No Brasil, a produção industrial caiu mais do que o previsto, com baixa de 2,5% em comparação com janeiro, ante estimativa de 2,05%. Na comparação anual, queda foi de 3,2%, mostram os dados do IBGE (Indústria Brasileira de Geografia e Estatística).

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.