Engie: o que a oferta bilionária para comprar Jirau significa para os investidores?

Conselho de Administração aprovou oferta pública primária de ações ordinárias no valor de R$ 5,744 bilhões

Felipe Moreira

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Logotipo da Engie (crédito: REUTERS/Stephane Mahe)
Logotipo da Engie (crédito: REUTERS/Stephane Mahe)

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A Engie Brasil (EGIE3) anunciou que seu Conselho de Administração aprovou uma oferta pública primária de ações ordinárias no valor de R$ 5,744 bilhões como parte de ‌um plano para adquirir uma participação na usina hidrelétrica de Jirau. As ações EGIE3 subiam 2,35%, a R$ 34,02, na sessão desta quinta-feira (11).

Segundo cálculos do Goldman Sachs, a transação implica um múltiplo EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de aproximadamente 10 vezes para 2025.

O Bradesco BBI avalia operação como neutra a levemente positiva, considerando a coerência econômica entre o retorno implícito de Jirau e o custo de capital percebido na Engie. A estrutura da transação — com participação ativa dos minoritários e flexibilidade para execução mesmo sem a incorporação — reduz riscos de execução e reforça a disciplina financeira da companhia.

Por outro lado, o fato do ativo já estar amplamente contratado até 2034 limita o upside no curto prazo, tornando a tese mais dependente de execuçãooperacional e gestão de portfólio. A destinação de recursos para redução de passivos e financiamento de investimentos também contribui para maior equilíbrio financeiro.

Do ponto de vista financeiro, o BTG Pactual avalia que a operação deve contribuir para a redução da alavancagem da companhia em cerca de 0,4 vez, ajudando a compensar o impacto do pagamento antecipado de R$ 2,4 bilhões relacionado à obrigação da UBP, considerado pela administração como uma decisão positiva de alocação de capital devido ao desconto obtido junto ao governo. Se o aumento de capital ocorrer integralmente em caixa, a redução da alavancagem poderá alcançar 1,2 vez.

O BTG Pactual reitera classificação neutra para Engie e preço-alvo de R$ 33. O BBI também mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 38, refletindo um equilíbrio entre valuation adequado e ausência de catalisadores de curto prazo mais relevantes.

O Goldman Sachs mantém recomendação de venda para as ações da Engie Brasil (EGIE3), com preço-alvo de R$ 33. Na avaliação do banco, a companhia negocia a um valuation considerado elevado, com uma taxa interna de retorno (TIR) real de cerca de 8,5%, abaixo da média de 11,5% das empresas cobertas pelo banco, refletindo o espaço limitado para aumento dos dividendos.