Enfraquecimento do dólar pode colocar a hegemonia da moeda em cheque

Euro e iene poderão ganhar participação enquanto meio de troca mundial; déficit dos Estados Unidos preocupa

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SÃO PAULO – A desvalorização recente do dólar frente à principais moedas internacionais tem atraído a atenção do mercado, já que a moeda norte-americana lidera as transações comerciais do mundo todo. O dólar tem caído em relação às principais moedas, sendo que encontra sustentação apenas contra as divisas de alguns países asiáticos, que buscam manter as cotações de suas moedas desvalorizadas, para garantir a competitividade de suas exportações.

O volume expressivo do déficit público e em transações correntes norte-americano traz dúvidas no mercado com relação à tendência da moeda, já que a sua depreciação é uma das saídas encontradas pelo governo dos Estados Unidos para diminuí-los. Isso põe em cheque a sustentabilidade do dólar enquanto referência nas transações mundiais, já que outras moedas têm simbolizado trocas comerciais, com o euro e o iene.

Déficit norte-americano preocupa

Entretanto, a depreciação da moeda não parece suficiente para resolver os déficits do país. Analistas acreditam que são necessários cortes nos gastos públicos, por sua vez pouco prováveis no governo Bush, que insiste em investir em conflitos militares no Oriente Médio.

Outro problema é que as pessoas relutam em investir em uma moeda que tem perdido credibilidade. Os investidores estrangeiros, que concediam empréstimos aos Estados Unidos, têm repensado essa questão, já que os retornos têm sido menores que os da Europa e do Japão. O dólar se enfraquece sem esse apoio financeiro.

Moeda segue perdendo a hegemonia

A percepção de alguns analistas é de que o dólar segue perdendo participação enquanto meio de troca. Não que a moeda irá perder a primeira posição, mas sim que ela deverá dar mais espaço para que outras moedas se fortaleçam, como já vêm acontecendo com o euro e com o iene.

A questão fundamental é que ainda não se sabe se o dólar continuará caindo, nem por quanto tempo. O problema torna-se maior na medida em que a balança comercial não parece ser um problema fácil de se resolver, ao contrário, as causas são estruturais, segundo a percepção dos analistas.