Publicidade
SÃO PAULO – A Merrill Lynch propõe um estudo sobre o câmbio internacional que acusa vulnerabilidades diante da conjuntura atual. Segundo o banco de investimentos, o dólar já está relativamente desvalorizado frente às principais moedas globais. E a situação tende a piorar.
A provável seqüência de cortes na Fed Funds Rate deve levar o juro básico norte-americano a 2,50% ao ano até o final de 2008, prevêem os analistas. Se comprovado o ajuste, haverá bastante espaço para a queda do dólar.
Por outro lado, outras autoridades monetárias importantes ainda não sinalizaram medidas sólidas de flexibilização. Nesta semana, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra decidirão suas taxas de juro, sem perspectivas de afrouxamento.
Fugindo do dólar
Alguns fundos soberanos já anunciaram a intenção de diversificar ativos, reduzindo a exposição à moeda norte-americana. Outros devem fazer o mesmo nos próximos meses, gerando um efeito em cadeia contra a confiança na divisa como reserva de valor.
Se a China e o Oriente Médio confirmarem rumores de troca agressiva do dólar por outras moedas, a desvalorização assumirá um ritmo mais contundente. Porém, tal movimento é pouco provável; seria prejudicial às políticas comerciais dessas regiões.
Melhor para o euro e o real
Diante desse cenário, o euro atingiria o pico de US$ 1,57 em março de 2008, para só em dezembro retornar a patamares abaixo de US$ 1,50. O real também ganharia força contra o dólar.
Continua depois da publicidade
Segundo a Merrill Lynch, apesar das intervenções do Banco Central, a moeda brasileira estaria entre as principais beneficiadas pelo declínio do dólar. O banco espera a taxa de câmbio a R$ 1,60 em março de 2008. Daí em diante, haveria alguma desvalorização do real, por conta de cortes na Selic e deterioração da conta corrente.