Publicidade
As ações da Eneva (ENEV3) saltaram cerca de 8% nesta sexta-feira (13), em recuperação após mudanças para o leilão de capacidade. ENEV3 subiu 8,06%, a R$ 21,44.
O governo elevou os preços-teto para o principal leilão do setor elétrico este ano, após ter identificado uma distorção em relação aos valores calculados por importantes empresas interessadas no certame e que poderia colocar em risco a contratação de mais potência para o sistema de energia brasileiro.
O preço-teto para as usinas existentes a gás natural e a carvão mineral subiu para R$2,25 milhões/MW.ano, ante R$1,12 milhão/MW.ano divulgado no início desta semana.
Viva do lucro de grandes empresas
Para os projetos novos a gás, o valor foi elevado a R$2,9 milhões/MW.ano, ante R$1,6 milhão/MW.ano definido anteriormente.
Já para os projetos de expansão de usinas hidrelétricas, o preço-teto foi mantido em R$1,4 milhão/MW.ano.
Os valores se referem aos valores máximos que os empreendedores devem oferecer para disputar contratos do leilão, e não o preço final da contratação da energia.
Continua depois da publicidade
Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que foram atualizadas premissas após escuta, contribuições e “avaliações técnicas criteriosas”.
A necessidade de correção foi admitida pelo Ministério de Minas e Energia, após reação fortemente negativa do mercado na terça-feira, quando os primeiros números foram divulgados, e que levou a um tombo de quase 20% das ações da Eneva no pior momento, uma das principais interessadas no leilão.
O Citi avaliou que, pela reação do mercado após a divulgação, preços na faixa de R$2,5 milhões a R$3 milhões parecem ser vistos como “bons/base” pelos investidores.
“Os números trazem uma grande sensação de alívio, especialmente depois dos preços-tetos iniciais, que faziam muito pouco sentido para nós”, escreveu o analista do Citi João Pimentel.
O Bradesco BBI apontou que os aumentos propostos são substanciais e que retornou, pelo menos, ao seu cenário base original (preço-alvo para o final de 2026 de R$ 26 por ação), porém com risco de alta, visto que o teto de receita para projetos greenfield é maior do que a sua estimativa atual.
Isso é relevante porque a Eneva pode não apenas contratar o projeto greenfield Celse 2 (1,2 GW) próximo a um teto mais alto (com provável concorrência limitada), mas também aumenta as chances de a Eneva vender outros projetos não incluídos em nosso cenário base (ou no do mercado), tais como: (i) o projeto greenfield Ceiba (assumindo 1,0 GW contratados ao teto, isso adicionaria um VPL de aproximadamente R$ 3,5 bilhões ou cerca de 10% da capitalização de mercado no final de 2026); e (ii) a usina termelétrica existente Fortaleza (assumindo o teto de receita, isso adicionaria um VPL, ou Valor Presente Líquido, de aproximadamente R$ 2,0 bilhões ou 5% da capitalização de mercado no final de 2026).
Continua depois da publicidade
(com Reuters)
