O que esperar para Eneva após saltar 111% em 2025? BBI segue otimista e sobe projeção

O preço-alvo foi elevado de R$ 22 para R$ 26, ou potencial de alta de 30% frente o fechamento da véspera

Lara Rizério

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Complexo do Parnaíba da Eneva (Divulgação)
Complexo do Parnaíba da Eneva (Divulgação)

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Terceira maior alta do Ibovespa em 2025, com avanço de 111%, a ação da Eneva (ENEV3) segue sendo vista com otimismo por analistas de mercado.

O Bradesco BBI manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações ENEV3, elevando o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26, ou potencial de alta de 30% em relação ao fechamento da véspera.

A elevação nas projeções é de forma a refletir o novo cenário base do banco para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de março, que, na opinião do banco, ainda deixa espaço para mais valorização.

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“Atualizamos nosso modelo, incluindo os resultados do 3º trimestre de 2025 e oferecemos uma visão nova e mais otimista sobre o LRCAP após diversas conversas com participantes do setor, incluindo fornecedores de turbinas, consultores e empresas”, avalia a equipe de análise.

O cenário base considera 3,00 GW (gigawatt) colocados no LRCAP, com receita de R$ 2,25 milhões/MW (megawatt) para as usinas termelétricas a gás Parna 1/3 e Celse 2.

Alternativamente, trabalha em seu cenário pessimista com as seguintes premissas: potencial valorização de 20% para o preço-alvo (R$ 24), com receita menor de R$ 2,0 milhões/MW.

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Por fim, para o cenário otimista, tem potencial valorização de 39% até o que seria o preço-justo (R$ 28), para 4,3 GW a R$ 2,25 milhões/MW, mas esse valor poderia chegar a 50% se a receita garantida atingir R$ 2,50 milhões/MW.

No leilão, para mitigar os riscos de fornecimento de eletricidade durante os horários de pico de demanda, agora os analistas esperam que os reguladores: (i) contratem uma capacidade total maior, de 20 a 25 GW (estimativas do Bradesco BBI), com entrega entre 2026 e 2031, incluindo ativos existentes e novos (anteriormente de 15 a 17 GW); além de (ii) atrair desenvolvedores estabelecendo um teto de receita mais alto do que o inicialmente modelado (R$ 2,0 milhões a 2,5 milhões/MW), refletindo o aumento do custo de construção de novas usinas termelétricas e o pagamento pelo fornecimento/transporte de gás.

“Esses fatores, juntamente com o portfólio altamente competitivo de ativos/projetos da Eneva -alguns dos quais poderiam até ser precificados perto do teto do leilão, enquanto desfrutam de custos muito mais baixos, podem gerar um resultado favorável para a empresa que ainda não está totalmente precificado”, avaliam os analistas.

A demanda total do leilão não será divulgada até depois do evento, mas as expectativas são de algo entre 20 GW e 25 GW, para os quais os reguladores irão: (i) renovar contratos para usinas termelétricas existentes que, de outra forma, parariam/seriam desativadas (a gás, carvão e diesel), garantindo cerca de 9,0 GW – neste segmento, a Eneva possui cerca de 1,6 GW de ativos a gás/carvão bastante competitivos; e (ii) projetos de usinas termelétricas a gás natural em fase inicial, com capacidade de aproximadamente 7,6 GW (cenário base do Bradesco BBI), que depende do tamanho total do leilão e da alocação para projetos hidrelétricos e usinas a carvão. Neste segmento, a Eneva possui pelo menos 1,3 GW (Celse 2) de um projeto competitivo, além de provavelmente outros 1,0 a 2,0 GW em outros projetos prontos para serem desenvolvidos (por exemplo, o projeto Ceiba, previsto para 2029, com capacidade total de aproximadamente 2,0 GW).

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.