Energia: Lula diz que renegociação do Tratado de Itaipu está fora de cogitação

O presidente do Paraguai diz que poderia ganhar mais se vendesse a energia que não usa para outros países; há quem discorde

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Na última segunda-feira, as duas últimas turbinas das vinte previstas pelo Tratado que constituiu Itaipu foram inauguradas oficialmente por Luiz Inácio Lula da Silva, presidente brasileiro, e Nicanor Duarte, presidente do Paraguai.

Antes da cerimônia, porém, Duarte pediu publicamente ao Brasil o início de um processo de renegociação do Tratado (1973), cujos termos colocariam, segundo Duarte, o Paraguai em desvantagem em relação ao Brasil.

Lula rejeitou pedido

No entanto, o presidente Lula rejeitou o pedido paraguaio e disse que uma renegociação do Tratado não é cogitada. O presidente brasileiro lembrou ainda dos benefícios que a hidrelétrica binacional, maior em operação no mundo inteiro, gera para os dois países.

Além disso, segundo representantes do lado brasileiro de Itaipu, o Tratado prevê que as bases financeiras do acordo só podem ser renegociadas a partir de 2023, data prevista para a liquidação da dívida da elétrica.

Paraguai quer mais

Ocorre que o Tratado define que cada um dos dois países tem o direito de utilizar metade da energia gerada por Itaipu, sendo que a energia não consumida só pode ser vendida para o outro dono da planta.

O que Duarte alega é que, se pudesse vender a energia que não usa (grande parte) para outros países, ganharia cinco vezes mais do que quando negocia com o Brasil, seguindo os termos do tratado.

Preço é de mercado

Itaipu reage dizendo que tais alegações não procedem, que o preço pago pela energia de Itaipu comprada do lado paraguaio está de acordo com o praticado no mercado atacadista de São Paulo.

Em todo caso, uma vez que qualquer alteração no Tratado carece de aprovação dos congressos dos dois países, Lula acha muito difícil que seus termos sejam renegociados.

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