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SÃO PAULO – Visto como uma boa opção de investimento em tempos de crise, o setor de Energia & Saneamento foi motivo de reavaliação do Bradesco na última quinta-feira (28), quando a corretora divulgou um novo relatório sobre o assunto.
A equipe de analistas, liderada por Marcelo Britto, atualizou projeções e expressou sua opinião sobre os principais papéis listados na bolsa.”De forma geral, apesar do cenário ruim e das incertezas que circulam a economia, nós mantemos uma visão positiva para os ativos do segmento, devido aos bons valuations e aos rendimentos elevados”.
Entre as diferenças do último relatório, publicado em outubro de 2008, o time revisou suas premissas para a economia brasileira, esperando contração de 2% no PIB (Produto Interno Bruto) e taxa de câmbio próxima a R$ 2,40 em 2009 – enquanto na edição anterior os números previam crescimento de +2,2% e o dólar sendo negociado a R$ 2,10.
Interpretações
Desde o agravamento da crise em 2008, muitas operações de Fusões & Aquisições foram observadas nas empresas de capital aberto e a compra da Terna pela Cemig esteve entre as mais comentadas no ramo de Energia & Saneamento.
“Entretanto, nós achamos que a maioria das aquisições foram referentes a oportunidades e não necessariamente expressam uma tendência do setor”, comentou a corretora, que continuou a análise avaliando a situação financeira das empresas como positiva, com pouca necessidade de venda de ativos. “À exceção da Cemig, nós não esperamos muitos acordos nesse sentido”.
O crescimento do setor também não parece inspirar muitas preocupações nos analistas, que afirmaram não enxergar grandes problemas por parte de financiamentos ou questões ambientais. “O Governo Federal continua dando amplo suporte ao setor com as linhas criadas com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o financiamento não sugere muitas dúvidas”, explicou a equipe.
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Horizonte parecido também é esperado para os preços e as companhias de geração terão uma situação bastante tranquila em 2009. Segundo os analistas, boa parte da energia já foi vendida tanto no mercado regulado, como no “take-or-pay”, o que oferece certa segurança. “De 2010 a 2012, porém, essa pressão pode aumentar, uma vez que não vemos muitas hidrelétricas começando a operar nesse intervalo”.
O que dizer das ações?
Por fim, o time de Marcelo Britto ponderou suas expectativas em relação às ações e alterou algumas previsões de ratings e preços-alvo. Os papéis da Light (LIGT3), Copel (CPLE6), Tractebel (TBLE3), Cesp (CESP6) e Energias do Brasil (ENBR3) foram tidos como outperform (acima da média). As ações da CPFL (CPFE3) e Cemig (CMIG4) foram consideradas market perform (em linha com o mercado), enquanto Celesc (CLSC6) ficou underperform (abaixo da média).