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SÃO PAULO – “Há tempos que não tínhamos uma semana tão decisiva para os mercados globais como esta.” É o que afirma o membro da equipe de análise da XP Investimentos, Daniel Cunha, ao se referir às decisões de política monetária tanto na Zona do Euro quanto nos Estados Unidos, além do tão esperado relatório de emprego da maior economia do mundo.
Cunha avalia que o que era pra ser uma semana tensa por si só por contemplar no mesmo período o encontro dos dois bancos centrais mais influentes do mundo – o BCE (Banco Central Europeu) e o Federal Reserve -, tornou-se decisiva também para o comportamento dos mercados no curto prazo. Isso porque as expectativas dos investidores aumentaram para que haja uma resolução definitiva face à crise enfrentada na Zona do Euro, após as autoridades europeias reiterarem que irão defender a união monetária no bloco econômico.
Vale ressaltar que, na última sexta-feira (27), o Ibovespa registrou o seu melhor pregão em quase um ano, em meio aos rumores de que o BCE adotaria novas medidas de estímulo à Zona do Euro, através de novas compras de bônus, redução da taxa de juro básica e novas operações de empréstimos de longo prazo.
Tudo ou nada?
Desse modo, avalia Cunha, as expectativas mais altas com relação aos desdobramentos da crise faz com que o desempenho do mercado na semana se paute nas decisões dos BCs. Para ele, ou as autoridades monetárias mostram um bom nível de coordenação política – o que não foi visto nos últimos anos – , e anunciem medidas eficazes, ou teremos uma volta de um ambiente de maior desconfiança. No primeiro cenário, haveria uma manutenção do bom humor dos mercados, enquanto no segundo, haveria forte realização e fuga dos ativos de maior risco.
Com isso, a postura a ser adotada para a semana é de cautela, já que o mercado está guiado pela elevada liquidez e apoiado perigosamente em discursos políticos, preferindo ignorar os fracos fundamentos e o elevado grau de incerteza no ambiente econômico global, afirma Cunha.
Para ele, o bom humor do mercado pode se manter caso o Fed lance sua terceira rodada de flexibilização monetária (QE3) e o BCE adote medidas mais firmes para aliviar o financiamento dos países periféricos. Entretanto, mais a longo prazo, o bom humor do mercado perderá sustentação, uma vez que os investidores avaliem que as medidas tomadas pelo governo norte-americano estão perdendo eficiência, avalia.
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Já no Velho Continente, Cunha acredita que as probabilidades de soluções definitivas para o bloco econômico a serem anunciadas nesta semana são baixas, já que o dilema entre planos econômicos eficazes e politicamente viáveis continuará impedindo avanços rápidos nas reformas da Zona do Euro.
“Assim, o descompasso importante entre o tempo necessário para se construir uma união política ‘perfeita’ e a necessidade de evitar a insolvência dos países periféricos continuará, com o tempo, pesando nos mercados”, conclui.