Encarecimento do trigo pode chegar ao panetone neste Natal, diz Abras

Por outro lado, com o dólar desvalorizado, importados devem ficar mais baratos – como é o caso das frutas cristalizadas

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – Os constantes encarecimentos do trigo podem fazer com que o panetone fique mais caro para este Natal. A afirmação foi feita nesta terça-feira (25) pelo presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), Sussumu Honda, durante apresentação dos dados do setor referentes a agosto. De qualquer maneira, o executivo lembrou que, com o dólar mais baixo – na última segunda-feira (24) a moeda comercial ficou cotada a R$ 1,87 – produtos importados, muito comuns para a época, tendem a ficar mais baratos.

“As próprias frutas secas e cristalizadas que vêm no panetone podem ficar mais em conta, influenciando no preço final”, estimou. Vale lembrar que a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou que, até agosto, alguns dos derivados do grão eram destaques de encarecimento. A própria farinha de trigo acumulava alta de 3,50% no preço. O biscoito ficava em 4,17%, enquanto que o pão estava em 4,4%.

Comportamento de consumo

Honda lembrou, contudo, que o comportamento dos preços dependerá, também, da procura dos clientes. Se os brasileiros tirarem de sua ceia o tradicional pão natalino, a tendência é de que haja promoções para escoamento dos produtos. “Se as vendas estiverem ruim, pode ser que façam dois pelo preço de um antes mesmo de passarem as festas. Claro que o setor não quer que isso aconteça”, resumiu.

Como exemplo o executivo citou o caso do leite e da carne, que apresentaram valorizações significativas nos últimos meses. “Houve queda nos volumes vendidos, porque esses produtos são mais consumidos pelas classes C, D e E, que são muito sensíveis ao preço”, afirmou.

Tempo x praticidade

Mas, para o presidente da Abras, as perspectivas para as vendas são boas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que com a maior oferta de crédito, o aumento da massa salarial e do poder de compra fizeram com que as famílias consumissem R$ 379,6 bilhões no segundo trimestre deste ano – 5,7% a mais do que no mesmo período do ano passado, marcando o 15º crescimento consecutivo na taxa nessa base comparativa.

“Com esses dados, a indústria cria maneiras de atingir o comprador, pensando na questão tempo e praticidade. Então deixa de haver exclusividade de vendas em alguns canais”, disse, detalhando que, no caso novamente do panetone, será possível encontrar o produto até mesmo em farmácias.

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