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O Governo Federal oficializou, por meio de Medida Provisória, a obrigatoriedade da aprovação no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para o exercício da medicina. Desde o dia 19 de junho de 2026, os estudantes que ingressaram nos cursos de graduação deverão atingir a pontuação mínima na avaliação final, realizada ao término do sexto ano, para obterem o registro junto ao CRM (Conselho Regional de Medicina).
De acordo com analistas do mercado financeiro, essa nova regra deve aumentar o escrutínio sobre a qualidade dos cursos de medicina, além de aumentar a pressão sobre grupos educacionais com forte exposição ao segmento.
Conforme destaca em relatório os analistas do BTG Pactual divulgado nesta terça-feira (23), o exame será composto por duas etapas: uma avaliação diagnóstica ao final do quarto ano, focada em feedback, e o teste decisivo ao fim da graduação. “A medida provisória que torna a aprovação no Enamed um requisito para o registro profissional dos médicos deve gerar impactos diretos a partir de 2032, quando essas turmas concluírem a graduação”, diz o texto.
Parcela que não atingiu nota mínima
A preocupação dos analistas ganhou força após os resultados da edição de 2025 do ENAMED. De acordo com levantamento do Bradesco BBI com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), “43% dos estudantes de instituições com fins lucrativos não conseguiram atingir 60% no exame”.
Embora a MP permita que os alunos refaçam a prova sem limite de tentativas, o impedimento do exercício profissional até a obtenção da nota cria um novo filtro de qualidade.
Entre as companhias com maior participação de alunos considerados não proficientes estão Ser Educacional (SEER3), Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), com taxas de 53%, 49% e 48%, respectivamente. A análise do BBI mostra que os números consideram a participação de estudantes não proficientes por curso e o número de vagas informados pelo INEP.
Na avaliação dos analistas do BBI, a nova regulamentação tende a aumentar o engajamento dos estudantes e estimular melhorias acadêmicas. “Acreditamos que a medida aumentará o engajamento dos alunos e provavelmente melhorará os resultados do ENAMED”, afirmam os analistas ao comentar os possíveis efeitos da mudança regulatória.
Ainda assim, o banco ressalta que a exigência pode prolongar o tempo necessário para que estudantes obtenham retorno financeiro sobre o investimento na graduação. “Alguns alunos podem não conseguir obter a licença do CRM ou demorar mais para fazê-lo”, observa o relatório.
Destaques
O Bradesco BBI destaca que Afya (AFYA), Ânima (ANIM3) e Yduqs são as companhias mais expostas ao ensino médico, com aproximadamente 83%, 57% e 39% do Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2025 vinculados ao segmento, respectivamente.
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Por conta dessa dependência, os analistas classificam a medida como ligeiramente negativa para essas empresas. Segundo o banco, embora não sejam esperados custos adicionais relevantes de adaptação curricular, o novo modelo pode afetar a atratividade dos cursos caso os estudantes encontrem dificuldades para obter o registro profissional.
No caso da Afya, o Bradesco BBI afirma que a companhia não prevê impactos materiais de custos, uma vez que o conteúdo exigido pelo exame já está contemplado em sua grade curricular. “O conteúdo do exame já está totalmente coberto em seu currículo atual”, destaca o relatório ao abordar a avaliação da empresa sobre a nova regra.
Qualidade acadêmica tende a ganhar peso competitivo
Para o BTG Pactual, o ENAMED está deixando de ser apenas uma questão regulatória para se transformar em um indicador estrutural da qualidade dos cursos de medicina.
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“Ao vincular o desempenho dos estudantes tanto ao exercício profissional quanto à supervisão dos cursos, o novo modelo tende a transformar a qualidade acadêmica em um diferencial competitivo”, afirma o relatório do BTG.
O relatório do BTG lembra que, após os resultados de 2025, o Ministério da Educação já adotou medidas cautelares contra cursos com desempenho insuficiente, incluindo suspensão de vagas, restrições à expansão e limitações de acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
Na análise do BTG, instituições com desempenho inferior podem enfrentar menor demanda por matrículas, crescimento mais limitado e necessidade de maiores investimentos acadêmicos nos próximos anos. Em contrapartida, grupos mais bem posicionados podem ampliar participação de mercado.
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Mesmo com a necessidade de maiores investimentos acadêmicos por parte dos grupos com desempenho inferior, os analistas permanecem construtivos. “Diante do longo prazo de implementação e das incertezas regulatórias remanescentes, não vemos o Enamed como prejudicial aos resultados do setor”, conclui o BTG Pactual, que mantém preferência pelas ações de Vitru (VTRU3), Cogna e Ânima.

