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SÃO PAULO – A excessiva carga tributária enfrentada pelas empresas tem feito com que estas se endividem cada vez mais com o governo. Com o baixo crescimento econômico do país, estas empresas precisam priorizar determinados pagamentos, de forma que o pagamento de tributos acaba ficando em segundo plano.
Aumento de 32%
De acordo com o levantamento realizado pela Mission Desenvolvimento Profissional junto a 1.500 empresas, no ano passado o número de empresas com dívidas com o Fisco cresceu algo em torno de 32%, passando de 40% para 53%.
No lugar de pagar impostos e contribuições, as empresas têm priorizado o pagamento de funcionários e fornecedores. Para essas companhias, sem empregados e mercadorias não há como os negócios continuarem funcionando.
Entretanto, postergar as dívidas com o governo também traz sérios problemas no longo prazo, como a dificuldade em se obter crédito no sistema financeiro, refletindo de forma negativa no caixa da empresa e, consequentemente, inviabilizando o bom andamento dos negócios.
Há disposição para renegociação de dívidas
Apesar de estarem inadimplentes com o governo, muitas vezes com dívidas altas, a pesquisa revelou que cerca de 57% das empresas se mostraram dispostas a saldarem suas dívidas com o Fisco, mas desde que o governo lhes proporcione condições mais justas de financiamento do débito.
As renegociações permitidas atualmente prevêem o pagamento das dívidas entre 120 e 180 meses. Para as empresas consultadas esse prazo, apesar de longo, não é o suficiente para arcar com o pagamento das dívidas mais os tributos correntes. Nesse sentido, um prazo de 240 meses, por exemplo, reduziria significativamente as parcelas do refinanciamento e não prejudicaria o pagamento dos demais tributos em dia.
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Companhias reduzem margem de lucro
Em 2002, a carga tributária brasileira atingiu um patamar recorde sobre o Produto Interno Bruto (PIB): 36,45%. O aumento da arrecadação subiu 19,16% em relação a 2001, atingindo o montante de R$ 72,82 bilhões, puxado principalmente pela arrecadação do ICMS, Imposto de Renda, Cofins e Contribuição Previdenciária.
Se por um lado o governo arrecadou mais com o aumento da carga tributária, por outro lado as empresas tiveram que reduzir suas margens de lucro, uma vez que tiveram que arcar com os reajustes dos impostos sem repassar os custos ao produto final.