Empresas investem em programas para tratamento de funcionários dependentes

O problema está mais presente nas empresas do que se imagina; empresários buscam alternativas à demissão do empregado

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SÃO PAULO – Ao contrário do que se imagina, os problemas relacionados à questão da dependência química dentro das empresas é muito comum. Em um primeiro momento, há empresas que ao menor sinal de que um funcionário seu esteja envolvido com algum tipo de droga, trata de preparar a sua carta de demissão. Por outro lado, há grandes corporações investindo na recuperação de seus funcionários, pois julgam o processo, inclusive, mais econômico do que a despedida.

Convém destacar que aqui nos referimos aos mais diversos tipos de drogas, como álcool, drogas ilícitas, estimulante etc. Atividades que exigem constante vigília, por exemplo, são as que mais influenciam no abuso de drogas. É o caso de caminhoneiros e médicos, por exemplo, que em casos isolados acabam tendo algum problema deste tipo.

Demissão parece não ser o melhor caminho

No total, o Brasil gasta em torno de US$ 19 bilhões em conseqüência do uso de drogas no ambiente de trabalho, problema este responsável ainda por nada menos do que 65% dos acidentes de trabalho registrados no país.

Os gastos das empresas com o problema decorrem, principalmente, de gastos médicos e subsídio das perdas geradas pela baixa produtividade do trabalhador dependente. Demitir pode parecer a melhor solução, mas os gastos incorridos neste processo são relativamente altos ao se considerar uma grande organização, onde o problema é mais comum do que se imagina. Além de gastos rescisórios, há ainda o treinamento de mais um empregado, que não raro, pode se tratar de um outro dependente químico.

De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a cada dólar que uma empresa investe em programas internos para a prevenção e tratamento da dependência química de seus empregados, outros três dólares são recuperados, o que mostra o sucesso da medida.

Recuperação satisfatória

Os programas de recuperação de dependentes surtem grandes efeitos dentro das empresas. Segundo o mestre e doutor em toxicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ovandir Alves Silva, há recuperação dos funcionários em 80% dos casos. Em clínicas particulares, este percentual cai para 40%. Acontece que o medo de perder o emprego é o diferencial na recuperação.

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A abordagem adotada para identificar se há, ou não, funcionários dependentes variam de acordo com cada empresa. Na Sabesp, por exemplo, primeiro são selecionados funcionários suspeitos, isto é, que apresentam histórico de faltas, atrasos, baixa produtividade, alteração emocional e aparência desleixada. Para se ter a certeza de que são dependentes e de que receberam tratamento adequado, a empresa os encaminha para fazer um exame médico convencional.

Já na Embraer é adotada uma abordagem diferente. Desde 1984 a empresa desenvolve o Programa de Controle e Recuperação do Dependente Químico. A identificação de dependentes é aleatória, isto é, são realizados sorteios para selecionar os funcionários que farão exames toxicológicos, uma espécie de anti dopping. Entretanto, eles não são obrigados a fazê-los, caso não se sintam à vontade.