Empresas brasileiras preferem fazer fusões ou aquisições na América Latina

Além disso, Canadá e Estados Unidos são os destinos preferidos dos empresários brasileiros, diz pesquisa da BCG

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SÃO PAULO – As empresas brasileiras concentram as suas fusões
e aquisições na América Latina, segundo dados do relatório “100 New Global Challengers: How Companies from Rapidly Developing Economies are contending for global leadership”, feito pela BCG consulting.

“Os brasileiros também são grandes compradores nos Estados Unidos e no Canadá”, revelou o co-autor do relatório e sócio sênior da consultoria em Pequim, David Michael.

Já a Europa é o foco das empresas indianas e russas que pretendem fazer aquisições internacionais. Os chineses, por sua vez, preferem diversificar, uma vez que 26% dos empresários do país asiático entrevistados afirmaram que têm negócios na Europa, outros 26% disseram que investiram nos Estados Unidos e no Canadá e o restante relatou ter negócios em outros países.

Aquisições

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Em 2007, das cem empresas consultadas, 88 realizaram operações de fusões e aquisições, um aumento bastante significativo quando comparado ao ano de 2000, no qual foram registrados 19 operações de fusões ou aquisições. Com isso, o valor médio dos negócios no ano de 2007 foi próximo dos US$ 600 milhões.

A pesquisa também constatou que os setores de Recursos Naturais, Metalurgia e Serviços são as áreas mais propensas a fusões e aquisições, para expandir os seus negócios. No período entre janeiro de 2000 a meados do ano passado, essas empresas conduziram médias de 9,5 e 3,3 negócios no setor, enquanto as empresas dos segmentos de bens de consumo duráveis (exceto empresas importadoras e fornecedoras de componentes) tiveram uma média de 1,4 operações exteriores no mesmo período.

Quanto aos lucros, no ano de 2007, as empresas consultadas que fizeram fusões e aquisições internacionais no período apresentaram juntas um lucro de US$ 1,5 trilhão, com um lucro operacional médio de 17%. Já entre 2005 e 2007, os lucros dessas companhias cresceram 29% ao ano, em dólares.

Tipos de aquisições

Para minimizar os riscos das fusões e aquisições, as empresas entrevistadas informaram que preferem as participações minoritárias ao invés do imediato controle total da companhia adquirida. Este fato pode ser comprovado com o recuo das participações majoritárias. Em 2004, 84% das empresas tinham participações majoritárias. Já em 2007, este número caiu para menos de 68%.

“Fusões e aquisições internacionais são sempre arriscadas, mas a compra de participações minoritárias pode atenuar a possibilidade de fracasso na integração pós-aquisição”, alertou Michael.

Integração dos negócios

Ao adquirir uma empresa ou fazer uma fusão, alguns empresários revelaram que preferem manter a equipe gerencial da empresa comprada e, ao mesmo tempo, instituir uma integração limitada das empresas.

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Além disso, algumas empresas disseram que, após a fusão, elas organizam debates entre os executivos, workshops e auditorias, para que as empresas compradas sigam as melhores práticas desenvolvidas na companhia e tenham uma atuação consistente.

Por outro lado, há empresas que afirmaram adotar a filosofia de integrar sistematicamente as companhias adquiridas, para compartilhar as melhores práticas entre a empresa compradora e a comprada.

Sobre o estudo

O relatório foi realizado com empresas de 14 países: Argentina, Brasil, Chile, China, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Índia, Indonésia, Kuwait, Malásia, México, Rússia, Tailândia e Turquia.

As companhias pesquisadas representam diversas indústrias, desde recursos naturais e metalurgia (20 empresas) a alimentos e bebidas (13) e indústria automobilística e de autopeças (10).

Para fazer o relatório, os pesquisadores da consultoria analisaram mais de 3 mil companhias de economias emergentes, a fim de se verificar quais estão realmente baseadas em economias de rápido desenvolvimento (as RDEs). Depois, há uma avaliação de critérios qualitativos e quantitativos, incluindo o tamanho da empresa.

Por último, são examinados os dados financeiros de três anos das empresas, classificando-as de acordo com um critério de globalização que inclui presença internacional, maiores investimentos obtidos nos últimos cinco anos, alcance e profundidade da tecnologia e propriedade intelectual, bem como interesse mundial gerado por ofertas públicas de ações e propostas de valor (diferenciais).