Empresas brasileiras ampliam exposição ao exterior; veja as principais da B3

Relatório destaca forte dependência de mercados desenvolvidos e China, com implicações para desempenho na bolsa

Lara Rizério

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Homem tira uma foto de um painel eletrônico que mostra o gráfico no pregão da Bolsa de Valores BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 21 de março de 2019. REUTERS/Nacho Doce
Homem tira uma foto de um painel eletrônico que mostra o gráfico no pregão da Bolsa de Valores BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 21 de março de 2019. REUTERS/Nacho Doce

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As empresas brasileiras listadas em bolsa vêm ampliando sua exposição internacional, tornando-se cada vez mais relacionadas ao desempenho de economias como Estados Unidos, Europa e China. A avaliação consta em relatório de estrategistas do Morgan Stanley, que mapeia a distribuição geográfica de receitas e custos das companhias latino-americanas — com destaque para o Brasil.

Um dos principais pontos do estudo é a relevância crescente dos mercados desenvolvidos na geração de receita de companhias brasileiras. Empresas como Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4) e JBS (BDR: JBSS32) aparecem entre aquelas com maior exposição aos Estados Unidos e Canadá, com parcela significativa do faturamento atrelada a essas economias.

No caso da Embraer, cerca de 58% das receitas vêm desses mercados, enquanto Gerdau (GGBR4) e JBS apresentam exposição semelhante, acima de 50%. Essa dinâmica evidencia a forte correlação dessas empresas com o ciclo econômico norte-americano, especialmente em setores industriais e de bens de consumo.

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Segundo o banco, esse perfil internacionalizado traz tanto oportunidades quanto riscos. De um lado, permite diversificação de receitas e menor dependência do mercado doméstico. De outro, aumenta a sensibilidade a fatores externos, como política monetária dos EUA, crescimento global e eventuais choques geopolíticos.

Dependência da China segue relevante em commodities

Outro vetor importante para empresas brasileiras é a exposição à China, sobretudo no setor de commodities. O relatório mostra que companhias como Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e SLC Agrícola (SLCE3) têm parcela relevante de suas receitas atreladas à demanda chinesa.

A CSN Mineração (CMIN3), por exemplo, tem cerca de 88% de exposição à China, enquanto SLC Agrícola (SLCE3) supera 60% e Vale (VALE3) se aproxima de 50%.

Essa concentração reforça a dependência do Brasil do ciclo de commodities e da atividade industrial chinesa. Na prática, movimentos de desaceleração ou estímulo na economia asiática têm impacto direto sobre receitas, margens e avaliações dessas empresas.

Europa e outros mercados também ganham espaço

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Além dos EUA e China, a Europa aparece como destino relevante para receitas de diversas companhias brasileiras. Empresas como PRIO (PRIO3), Suzano (SUZB3) e a própria Embraer possuem exposição significativa ao continente europeu.

A Suzano (SUZB3), por exemplo, tem cerca de 26% de suas receitas ligadas à Europa, enquanto PRIO (PRIO3) se aproxima de 30%.

Esse movimento reflete, em grande parte, o posicionamento global de empresas brasileiras exportadoras, especialmente nos segmentos de papel e celulose, petróleo e materiais básicos.

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Estrutura global também aparece nos custos

O relatório do Morgan Stanley destaca que a internacionalização não se limita à receita — ela também está presente na estrutura de custos. Empresas brasileiras como a MBRF (MBRF3) pela Marfrig, Klabin (KLBN11) e Bradesco (BBDC4) possuem parte relevante de seus custos atrelados a mercados externos, principalmente Estados Unidos e Europa.

No caso da Marfrig, entre 76% e 100% dos custos estão expostos à América do Norte, o que reforça a dependência de variáveis como câmbio, preços internacionais e dinâmica do setor de proteínas global.

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Já no setor financeiro e de serviços, instituições como Itaú (ITUB4) e BB Seguridade (BBSE3) também apresentam alguma exposição a cadeias globais, ainda que menor.

Na avaliação do Morgan Stanley, o alto grau de internacionalização torna o mercado acionário brasileiro mais sensível a fatores globais do que tradicionalmente se imaginava. Em muitos casos, o desempenho das ações depende mais de variáveis externas — como crescimento dos EUA, demanda chinesa e preços de commodities — do que de fatores domésticos.

Isso ajuda a explicar, por exemplo, movimentos recentes da bolsa brasileira em linha com tendências globais, mesmo em momentos de relativa estabilidade econômica interna.
Por outro lado, o relatório indica que essa característica também pode ser positiva em cenários de recuperação global, já que empresas brasileiras com forte presença internacional podem se beneficiar de ciclos externos mais favoráveis.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.