Empresários temem inadimplência com os empréstimos consignados

Como o desconto é feito direto no benefício, o descontrole financeiro acaba refletindo nas compras no comércio, por exemplo

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SÃO PAULO – O crescimento dos empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e servidores públicos tem preocupado empresários.

Isto porque algumas instituições financeiras oferecem o produto sem antes consultarem as centrais de proteção ao crédito, permitindo, portanto, que pessoas com restrição em seu nome possam se endividar ainda mais, sobretudo consumidores de baixa renda.

Crédito facilitado, taxas de juros mais atrativas, possibilidade de parcelamento no longo prazo. Todos estes fatores atraem um número cada vez maior de pessoas. O último balanço da Previdência Social, por exemplo, mostra que nada menos do que R$ 1 bilhão foi emprestado no último mês.

Descontrole financeiro

E o que preocupa é o nível de comprometimento da renda, considerado elevado pelo empresariado. De acordo com o diretor do Instituto Gastão Vidigal, Marcel Solimeo, por exemplo, o fato de a prestação do financiamento poder comprometer até 30% da renda pode levar facilmente ao descontrole financeiro.

Acontece que o público de baixa renda, conforme revela a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), possui apenas 10% de seu salário livre, ou seja, o limite de 30% é elevadíssimo nestas condições.

E como o empréstimo consignado apresenta juros menores por conta do menor risco de inadimplência, já que as parcelas são descontadas automaticamente no valor dos benefício, manter-se adimplente em relação a outros compromisso assumidos no comércio se torna ainda mais difícil.

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Neste contexto, a gerente da Unidade de Negócios Pessoa Física da ACSP, Roseli Garcia, sugere “a figura de um analista de risco para calcular a real porcentagem disponível do salário, avaliando quais os outros créditos adquiridos no mercado e as condições de honrar todos, antes de oferecer outra forma de recursos”.