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SÃO PAULO – Ainda que as condições do mercado de trabalho não sejam das mais favoráveis, isto não significa que como empresário você não precisa se preocupar com o relacionamento dos funcionários com a empresa. A relação entre funcionário e empresa deve prever a reciprocidade. De um lado, a empresa garante ao funcionário remuneração, segurança e status social, e de outro o trabalhador responde a isto, desempenhando bem suas tarefas.
Além disto, se de um lado a empresa espera que o funcionário se comporte corretamente na execução destas tarefas, respeitando os princípios da empresa, de outro o funcionário espera ser tratado de forma justa por esta empresa. Ainda que as relações trabalhistas estejam expressas no contrato formal de trabalho, ambas as partes têm expectativas do que esperam alcançar desse relacionamento.
Contrato psicológico.
Estas expectativas determinam o que os especialistas em gestão de recursos humanos chamam de contrato psicológico. Ao contrário do contrato formal de trabalho, esse contrato nada mais do que um acordo tácito entre as partes de que suas expectativas serão alcançadas.
Ao se dedicar mais ao trabalho o funcionário espera uma atitude recíproca da empresa, que reconheceria esse esforço atendendo alguma necessidade sua, seja ela financeira (através de aumento salarial ou bonificação), pessoal (promoção de cargo, etc). Como estas expectativas não estão escritas, cabe ao empresário manter um canal de comunicação com seus funcionários que lhe permita entender as expectativas dos funcionários, assim como comunicar as suas expectativas enquanto líder.
Motivação do funcionário
Não há como negar que o sucesso de uma empresa está diretamente relacionado ao desempenho dos seus funcionários, e que esses trabalham de maneira mais eficiente e produtiva quando estão mais motivados.
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Mas manter um funcionário motivado é uma tarefa muito mais difícil do que se imagina, pois a motivação humana é cíclica. Desta forma, o comportamento dos funcionários pode ser visto como um processo contínuo, em que uma vez atendida uma necessidade outra é imediatamente estabelecida.
De maneira simplificada, o ciclo de motivação de um funcionário pode ser dividido em seis etapas. Na primeira delas o funcionário está no que se considera em equilíbrio, ao receber um estímulo esse mesmo funcionário estabelece uma necessidade que deve ser alcançada. Ao buscar atender esta necessidade é criada uma tensão que motiva o funcionário a agir, e finalmente quando a necessidade é atingida o funcionário alcança a última etapa do ciclo: a de satisfação. Concluído o ciclo ele começa novamente à medida que novos estímulos são dados e novas necessidades criadas.
Traduzindo, o empresário precisa constantemente investir na motivação dos seus funcionários. Existem inúmeras teorias que tentam explicar os fatores por trás da motivação de um funcionário, mas de maneira geral eles podem ser resumidos na capacidade de realização, crescimento e reconhecimento profissional que o funcionário acredita ter ao superar desafios impostos na execução das suas tarefas.
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Clima organizacional
Ao transportarmos o conceito de motivação a nível individual para o nível da organização (ou empresa) temos o que se chama de clima organizacional. Assim, fica fácil entender que o clima organizacional de uma empresa reflete o grau de motivação de todos os participantes da organização (ou empresa) e a forma com que se relacionam dentro da estrutura da empresa.
Portanto, quando a motivação entre os funcionários da empresa é elevada isto se reflete em um aumento do clima organizacional, já que as pessoas estão mais dispostas e interessadas em colaborar. Em sentido oposto, quando a motivação dos funcionários está baixa isto se identifica no menor interesse, apatia e insatisfação da equipe e, conseqüentemente em uma deterioração do clima organizacional.
Cabe ao empresário garantir que a sua empresa desfrute de um bom clima organizacional. Uma empresa que valoriza seus funcionários e que incentiva sua participação no processo decisório facilita a integração do funcionário no seu grupo, além de contribuir para que esse consiga entender melhor suas tarefas e responsabilidades. Eventualmente é possível criar uma situação em que o funcionário tem orgulho do que faz, o que o motiva a investir cada vez mais na melhoria da sua eficiência.
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Valorizando o indivíduo
Nos últimos anos, as empresas passaram a dar mais valor aos funcionários, não apenas enquanto profissionais, mas também enquanto indivíduos. Nesse sentido, houve uma mudança na percepção das empresas, que passaram a investir na qualidade de vida de seus funcionários.
Para atrair bons profissionais uma empresa não pode apenas oferecer um salário competitivo e mantê-lo motivado. É preciso garantir uma boa qualidade de vida para o funcionário, tendência que se evidencia na adoção de jornadas mais flexíveis, que premiam o funcionário não pelo número de horas trabalhadas, mas pela sua contribuição para a empresa.
Assim, são cada vez mais comuns os casos de empresas que oferecem aos seus funcionários a possibilidade de se dedicar a outras atividades durante parte da jornada de trabalho. Diante disto, os chamados benefícios materiais, como carro, celular, etc. passam a contar menos do que a possibilidade do funcionário chegar mais tarde um dia por semana para levar os filhos na escola.
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Algumas empresas chegam a incluir nos mecanismos de avaliação dos seus funcionários a capacidade desse conciliar sua vida profissional com a melhora da sua qualidade de vida. Nesse sentido, a empresa estabelece objetivos que podem melhorar a qualidade de vida do funcionário, como, por exemplo, parar de fumar. O sucesso do funcionário em atingir esse objetivo acaba refletindo na sua bonificação.
Cada vez mais as empresas se sentem responsáveis por ajudar na qualidade de vida dos funcionários, pois entenderam que quanto mais feliz ele estiver do ponto de vista pessoal, mais produtivo será. Mesmo nas pequenas empresas é possível valorizar o indivíduo e promover o espírito de equipe entre os funcionários através de iniciativas relativamente baratas.
Além de organizar eventos sociais, para promover a integração, você pode estabelecer um mecanismo de premiação, além da bonificação. Por exemplo, entre os funcionários mais jovens, pode pagar os gastos com estudo do mês para quem se destacar, o impacto no caixa da empresa não é tão grande, mas para o funcionário se trata de um benefício bastante significativo.
Para entender qual o melhor mecanismo de premiação você precisa estar informado das expectativas de cada funcionário, e é por isto, que o diálogo e comunicação constante com a sua equipe é a melhor maneira de evitar não só a insatisfação, como também garantir um processo de motivação contínua, onde todos saem ganhando.